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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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FIM DE UMA ILUSÃO 09/07/2008 A síntese, embora ainda não o epílogo, do que se passou na política
brasileira nas últimas décadas foi dada pelo gesto desesperado de Daniel
Dantas tentando corromper os policiais federais que lhe foram prender, ontem,
segundo informação que foi dada em toda imprensa hoje, na tentativa de
livra-se a si mesmo e aos seus da ordem de prisão. O banqueiro, com seu milhão, foi
humilhado pelos meganhas. E qual é essa síntese? A
de que o poder político – o poder de Estado – é muito superior ao poder do
dinheiro. É isso que os revolucionários sempre souberam e que a nossa elite
econômica se esqueceu. Daniel Dantas é o espelho da nossa plutocracia posta
de joelhos pelo PT e seus aliados de esquerda. A elite
intelectual que cerca a plutocracia também se equivoca, ao achar que o mercado pode alguma coisa contra o
poder de Estado. É uma doce ilusão que pode render muito dinheiro de
consultorias, todas elas laudatórias e confortantes e inúteis nas horas
decisivas. Onde estava o mercado
quando vieram buscar Daniel Dantas? O mercado, para
ter algum poder, precisa antes domar o Estado. E essa é uma tarefa para
homens maiúsculos, não para apologetas e
oportunistas. Dinheiro só
tem importância e poder quando as instituições de Estado estão consolidadas
em uma ordem liberal aceita pela maioria dos agentes econômicos e políticos,
quando o império da lei “justa” está estabelecido. No momento em que as
forças revolucionárias são postas em movimento e transformam o sistema
jurídico no oposto da lei natural vemos instalar-se a ditadura legal, a
ditadura do guarda de trânsito, a ditadura policial mais tacanha e mais
terrível. Quando assistimos aos filmes sobre Hitler, especialmente aqueles do
diretor húngaro István Szabó
– refiro-me à imortal trilogia Mefisto,
Coronel Redl
e Hanussen,
o caro leitor saberá do que eu estou falando. A polícia uniformizada, munida
das formalidades legais, passa a caçar politicamente os inimigos da classe
dirigente e também os bodes expiatórios no altar das massas. Quem manda na
polícia é quem manda no mundo. Vemos isso
claramente no filme belíssimo de Spilberg A Lista se Schindler.
Uma das lições é que, ao avançar o processo revolucionário, dinheiro nada
vale. A loucura se instala nas instâncias de poder. O próprio Schindler se afunda com os escravos que inicialmente
comprava para ganhar dinheiro com o seu trabalho. A pistola (ou o fuzil) fala
mais alto do que o talão de cheques. Daniel Dantas descobriu essa dura
realidade da pior forma possível. A grande sabedoria
do argumento liberal é a de que precisa haver uma separação completa e
higiênica entre poder econômico e poder político, com a vigência do Estado
Mínimo e do império da lei. Sem isso, os aventureiros revolucionários colocam
gente como Beria no comando da polícia, eliminando
paulatinamente todos os adversários. Eu estou bastante
preocupado com o que vai acontecer se o nosso ministro da Justiça conseguir
pôr as mãos no banqueiro Salvatore Cacciola. Este
homem é um arquivo vivo e foi figura de proa de tudo que se sucedeu no
sistema financeiro nacional nos últimos anos do Governo FHC. Tem informações
que poderão abalar a República e definir, antes da
corrida começar, a sucessão presidencial. Aqui veremos também o fim de uma
outra ilusão, aquela vivida pelos que seguem a social-democracia. Essa gente
nutre um discurso reformista e amistoso com os revolucionários, subestimando
o mal que estes trazem em si. A história mostra que os social-democratas são o quebra-gelos das revoluções, normalmente assumem o
poder antes que os verdadeiros revolucionários o façam. FHC cumpriu esse papel,
passando o bastão para Lula. Agora os revolucionários não mais sairão do
poder antes de cumprido seu nefasto propósito. O banqueiro
Salvatore Cacciola sabe muito. Se falar, veremos
gente graúda às voltas com a Polícia Federal, o Ministério Público e as
câmaras da Rede Globo, todos algemados. Um espetáculo para as massas
estúpidas, que haverão até mesmo de aplaudir os meganhas, sem terem a menor noção do que estará
acontecendo. Haverá a destruição do que resta das forças de oposição a Lula pela via legal. Será uma tragédia política de
largas proporções. O tempo está
próximo. Quem viver verá. |
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