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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OFICIALIZANDO A CENSURA 07/12/2010 O destaque da Folha de São
Paulo de hoje é a gestação de projeto de lei com o objetivo de criar uma
nova agência governamental, que teria entre as suas atribuições a regulação
do conteúdo veiculado no rádio e na televisão. Desde que foi anunciada a Confecom que o governo do PT tem pelejado para pôr
uma trava na liberdade de imprensa, a pretexto de fazer a necessária modernização
na legislação que regula o setor. Um órgão dessa natureza não foi sequer
pensado nem mesmo no auge do governo militar, quando a censura era feita
abertamente e sem tentativa de institucionalização ou de uso de eufemismo
para sua prática. Era censura e fim de papo. A turma to PT, inspirada por
gente como Franklin Martins, sabedora da resistência do país a esse tipo de
exorbitância governamental, tenta fazer atalhos para dar poderes burocráticos
ao Estado contra os produtores de conteúdo. Não há que ter ilusão com a mudança de poder
das mãos de Lula para as da Dilma Rousseff.
Qualquer ação que indique alguma descontinuidade não passará de cortina de
fumaça, para dar marca personalizada ao novo governo. Serão coisas
cosméticas, como essa agora de Dilma criticar a política em relação ao Irã. É
algo que dá barulho na mídia, mas é inteiramente adjetiva e não muda para
valer o eixo da política externa. O mesmo com esse malfadado projeto de lei.
Dilma andou dando declarações enfáticas de que é contra qualquer tolhimento
da liberdade de imprensa, mas o fato de estar em gestação semelhante
monstrengo jurídico mostra que suas palavras estão em desacordo com suas
ações. Uma iniciativa dessa só poderia prosperar com o seu aval. Não podemos
esquecer também do seu envolvimento no processo e nos resultados da Confecom. Dilma endossou tudo que ali foi feito. E o que
ali foi feito é no sentido de institucionalizar a censura ao conteúdo dos
meios de comunicação, na prática acabado com a liberdade de opinião. As razões para essa ânsia para controlar a
mídia vimos nas últimas eleições. Um movimento incipiente de oposição levou
as eleições presidenciais para o segundo turno. Se as forças de oposições
tivessem um pouco mais de engajamento o adversário de Dilma poderia ter triunfado,
fruto da liberdade de imprensa, que deu amplitude ao caso Erenice
Guerra e à questão do aborto. O PT quer controlar esses riscos para se
eternizar no poder. É uma forma de fazer uma revolução “institucional”. Os
brasileiros conscientes precisam resistir a esses movimentos insidiosos dos
revolucionários, que nunca descansam. |
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