|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
O EXEMPLO FRANCÊS 20 de março de 2009 “Eu vos digo: de toda palavra vã que se proferir
há de se prestar conta, no dia do juízo. Por causa das tuas palavras serás
considerado justo; e por causa das tuas palavras serás condenado”. Mateus,
12, 36-37 A imprensa
internacional informou que a França ontem foi paralisada por greves e
manifestações contra a crise mundial, a segunda em menos de dois meses. Mais
de três milhões de pessoas marcharam pelas ruas gritando slogans conta o
capitalismo. O primeiro-ministro
francês, François Fillon, declarou que o “governo tem que ser responsável”, como se precisasse fazê-lo, enfatizando que
o déficit da França dobrou com o conjunto de pacotes anti-crise
e não há como o Estado fazer mais. Caro
leitor, essas manifestações na França
são o prelúdio do que está por vir. A terra de Flaubert é sempre a primigênia quando se trata de fazer a rebelião das massas
e quero comentar esse momento importante. Veja que ainda estamos nos albores
da crise, cujo epicentro está nos EUA e a mobilização das massas já começou a
acontecer de forma maciça do outro lado do Atlântico. O que esperar daqui a
seis meses, com o aprofundamento inevitável da crise? A mobilização
permanente, e não apenas na França, mas em todos os países. O processo
produtivo, já anêmico com os efeitos naturais da crise, poderá ser
desorganizado pelas paralisações freqüentes e irracionais provocadas pelos
líderes sindicais populistas e pelos partidos revolucionários, sempre a
postos para tirar proveito da situação, sempre vista na ótica do quanto pior, melhor. É necessário
sublinhar a estupidez dos manifestantes, ao atribuir ao capitalismo de per si
a causa última da crise. Quem tem acompanhado o que eu escrevo está bem
informado e sabe que a raiz da crise não é o livre mercado, mas o próprio
Estado. Tenho demonstrado que a exorbitância estatal e o surgimento do
chamado capitalismo de fundo de pensão (Peter Drucker) são as causas da crise, de tal forma que o
sistema de livre empresa está sendo praticamente destruído. É essa a origem
de tudo. Para piorar, as políticas econômicas de praticamente todos os
Estados são de corte keynesiano, de sorte que
tendem a aprofundar e a agravar os desequilíbrios econômicos. A crise foi
levada ao paroxismo precisamente pela insana tentativa de se tentar superar
seus efeitos sem tocar nas causas (a exorbitância do Estado), basicamente
usando os instrumentos da emissão de moeda e da ampliação da dívida pública. O fato é que
as massas marcharam na França contra a ameaça do fim do privilégio de se
trabalhar pouco ou nada, em um sistema de remuneração do ócio que contraria a
lei natural. E mais todos os falsos e insustentáveis direitos à Saúde,
Educação, Habitação e Aposentadoria. Esse sistema de privilégios pôde se manter enquanto a massa de desocupados remunerados era
relativamente pequena em relação ao total daqueles que trabalhavam para pagar
a conta. A generalização de “direitos” (na verdade, de privilégios contra
pagadores de impostos) levou o sistema à bancarrota. O Estado não tem poderes
para debelar a crise e não tem meios de manter os privilégios indignos
usufruídos pelas massas desocupadas. A crise
econômica veio acabar com tudo isso. A Era do Estado
Total chegou à exaustão. A presente situação não pode ser mantida e a
volta à normalidade exigirá o restabelecimento do Direito Natural como o
entendiam os teóricos clássicos do liberalismo. Lembremos que os tais
direitos humanos que esses teóricos defendiam, embora teoricamente errados em
face da boa ciência política aristotélico-tomista, jamais podem ser
confundidos com as aberrações que foram feitas em seu nome desde o século XX.
Os direitos humanos de que falavam os liberais clássicos eram basicamente o
direito à vida, á liberdade e à propriedade, ou seja, um limite claro para
que o Leviatã não invadisse a esfera privada. Portanto, esses direitos eram
limitadores da exorbitância natural do poder de Estado. No século
passado esse conceito de Direito Natural foi prostituído, de sorte que foram
multiplicados. A contrapartida desses novos direitos não foi a diminuição do poder de Estado, como ocorreu
originalmente no século XVIII, mas o seu agigantamento, pressupondo que os
capitalistas, os ricos e a classe média, deveriam ser os pagadores da conta
dos privilégios das massas bestificadas. A nova classe política dirigente que
emergiu, como Obama e
Lula, é composta de exemplares acabados de aduladores dessa massa faminta de
privilégios. A generalização do sufrágio universal facilitou a vida desses
populistas irresponsáveis. Vivemos a plena rebelião das massas. O mundo está
em perigo. A cada estágio de agravamento da crise veremos mais e mais
multidões nas ruas, a bradar contra o capitalismo. Mais greves para manter
privilégios que não poderão ser mantidos. Os desempregados serão
multiplicados aos milhões, em todo o mundo. Essa multidão não sabe o que diz,
não tem descortino algum da realidade, vive mergulhada na Segunda Realidade.
Como zumbis, repetirão os chavões dos revolucionários inescrupulosos. Uma
explosão de violência caótica é perfeitamente previsível e a chegada ao poder
de líderes carismáticos e messiânicos,
bradando contra o livre mercado, é fato ainda mais esperado. Não podemos nos
esquecer do que houve com a Alemanha em 1933 e na Rússia em 1917. Quem viver
verá. |
|