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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O EXEMPLO DE HONDURAS 30 de junho de 2009 Como
entender a brusca mudança de poder político em Honduras? Confesso-lhe, caro
leitor, que fiquei surpreendido, mas desta vez positivamente. Os fatos ainda
não estão muito claros, mas já permitem uma análise desde o estrangeiro. É
isso que pretendo fazer aqui. Começo
sublinhando as declarações da deputada hondurenha Marta Lorena Alvarado, transcritas na Folha de São
Paulo de hoje: “Aqui paramos Chávez
e sua agenda. Isso é mais importante do que qualquer coisa, inclusive do que
o reconhecimento internacional".
Um fato desses é auspicioso e precisa ser acompanhado atentamente e
apoiado pelos democratas de todo o mundo. Enfim alguém se dispôs a dar um
basta à expansão da maré vermelha no continente. E o que
vemos? A covardia Urbi et Orbi. O novo governo
hondurenho não recebeu apoio de ninguém. A razão principal,
além do fato de que os Estado Unidos estão nas mãos da esquerda mais radical,
dentro do espectro político daquele país, é que, depois de décadas de
revolução grasmciana em toda a parte, o senso de
perigo e o instinto do Bem e da ética em política perdeu-se. Vive-se
diante da mística eleitoreira, como se qualquer aventureiro, porque formou
uma maioria de votos em algum momento, tivesse a licença para fazer o que bem
queira para se perpetuar no poder, inclusive negando a ordem constitucional
que lhe deu o poder. A minha
amiga Graça Salgueiro, em artigo oportuno publicado no Mídia
Sem Máscara, mostrou que a ação militar de deposição do presidente chavista foi um gesto legal, amparado constitucionalmente
e ordenado pelo Poder Judiciário. Nem haveria que se falar em quebra da ordem
constitucional, vez que as formalidades da transmissão de poder foram
integralmente cumpridas. O que sublinho aqui é que, ainda que essas formalidades
não tivessem sido cumpridas, os homens de bem, conscientes de seus deveres, deveriam
ter agido da mesma forma e pôr o golpista para correr. Quero render a minha
homenagem ao chefe do Poder Judiciário, que determinou, e ao comandante
militar, que fez cumprir a grande ordem. O
formalismo eleitoreiro não pode ser biombo para esconder as trapaças da
esquerda revolucionária, que ocupa posições em toda parte, encontrando
terreno livre pela omissão daqueles que poderiam barrar o seu caminho. A
pequena república de Honduras deu um exemplo ao mundo. Desde que a esquerda
aprendeu a dominar o jogo eleitoral, sujeitando-o aos seus projetos
revolucionários, ela mesmo deixando de lado o golpismo à moda de Fidel
Castro, vemos o uso hipócrita esse discurso que exige a omissão daqueles que
podem lhe obstar o caminho. O uso da força para conter o mal é legítimo. Meu temor
é que a reação da esquerda em escala mundial acabe por fazer abortar a reação
vitoriosa. Se ao menos os Estados Unidos apoiassem, o novo governo teria a
chance de se consolidar, fazendo vingar a contra-revolução chavista. Mas nem isso nós temos, então tudo pode
acontecer. Torço para que as convicções nacionalistas e democráticas do povo
hondurenho o levem a cerrar fileiras com seus governantes, homens egrégios
que tiverem que escolher o caminho mais difícil. |
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