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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O EXEMPLO ALEMÃO 28 de março de 2009 Há um duelo
político acontecendo entre o governo de Barack Obama, dos EUA, e o de Angela Merkerl, da Alemanha, sobre como conduzir a saída da
crise econômica mundial. Esse duelo está desdobrado no plano teórico pelo
enfrentamento entre o economista Paul Krugman e o
ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück. São posições antagônicas, para as quais não
cabe meio termo e desse duelo de gigantes é que brotará o caminho da verdade
(ver matéria no Estadão). As principais escolas de
pensamento econômico aqui duelam pelo poder de formular as políticas públicas. Vimos que Obama, ao propor seu orçamento deficitário, fez a sua
escolha pelo ativismo keynesiano. É bem verdade que
os EUA têm a chave do cofre da moeda de trocas mundiais e podem dar-se
(ainda) a esse luxo de fazer emissões superlativas de moeda, mas ninguém sabe
até quando o feitiço vai durar. É verdade também que essas emissões têm-se mostrado
inúteis para retirar a economia dos EUA da crise, quando muito servindo para
manter insepultos os cadáveres putrefados das
gigantes empresariais quebradas, como a AIG e a GMC (e o setor imobiliário,
com seus ativos tóxicos). Um abuso
contra a economia de mercado e a livre concorrência, que pressupõe o
desaparecimento dos competidores superados. Do outro
lado temos a disciplinada Alemanha, que encerrou o ano de 2008 com déficit
público próximo de zero e com uma governante determinada a não mexer nessa
política, que é a melhor tradição da ciência econômica. A Alemanha já viveu
os horrores de uma hiperinflação e tem muita clareza dos limites do Estado
impostos pelas leis econômicas. Angela Merkel, em recentes declarações publicadas no jornal Financial Times (e reproduzidas no
site do UOL),
afirmou: "A crise não ocorreu
porque estávamos gastando muito pouco, mas sim porque estávamos gastando
demais para criar um crescimento que não era sustentável”. Obviamente uma
referência à gastança dos EUA, vez que a Alemanha vem de uma seqüência de
orçamentos equilibrados. A Alemanha é
um país com comércio internacional forte e sofrerá duramente com a recessão
norte-americana, estando previsto para o ano de 2009 uma queda de PIB da
ordem de 7%. A obstinada recusa da Sra. Merkel em
embarcar na aventura monetária expansionista tem razão de ser, vez que pode
se traduzir em descontrole de seu comércio internacional, desorganizando a
sua indústria. Uma elevação do déficit daquele país se traduziria em imediata
elevação das importações, comprometendo a arquitetura de seu sistema
econômico. Ajudaria os EUA, mas destruiria a Alemanha. Temos que
recordar que, se a dinâmica da administração do déficit pela Sra. Merkel é conservadora, a inércia da Alemanha é estatizante.
A arrecadação de impostos naquele país encostou em
39% do PIB, tornando-a tecnicamente uma economia socialista. Uma eventual
elevação do déficit público colocaria aquele país numa zona perigosa, vez que
a capacidade adicional de gerar tributos está bastante limitada. Se este não
é o debate econômico do século, certamente será o duelo do ano. Enquanto Merkel governar os keynesianos
não terão chance de pôr em prática suas alucinações obâmicas e dos Krugman de
plantão. O problema é que em setembro teremos eleições, no auge da crise
econômica. É possível que a racionalidade do atual governo saia de cena,
vindo a dar lugar aos populistas de esquerda. Certamente a crise será um grande
cabo eleitoral, como foi nos EUA. Ainda uma vez os destinos da Alemanha se
cruzam com os destinos mundiais. Quem viver
verá. |
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