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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O ENIGMA DO EGITO 03/02/2011 Preciso
dizer ao caro leitor mais algumas palavras sobre a situação do Egito. O
conflito evoluiu em desfavor do governo constituído, com as brigas de rua
fazendo muitas mortes e a repressão militar caindo com mãos pesada. Eu volto
ao assunto porque li a coluna de Clóvis Rossi na Folha de São Paulo de hoje (O espírito
de 1776), na linha da estupidez dos analistas de esquerda espalhados pelo
mundo. Evidente que não há qualquer paralelo entre a Revolução Americana e a
situação egípcia. Os EUA eram um país a construir e o Egito é um país
islâmico, dos mais antigos. Clóvis quis
dar um tom heróico aos sublevados. Não há nada disso. No Egito só podemos
esperar duas alterações políticas possíveis: ou se mantém o regime e assume um outro general ou assumem os revolucionários islâmicos,
como foi feito no Irã. Fora disso é delírio perigoso de analisa torcedor, que
se recusa a ver o real e prefere projetar miragens sobre os fatos. O governo
de Obama está em um conflito, entre a ética da consciência e ética da
responsabilidade. É uma falsa armadilha, mas bem sabemos que Hillary Clinton
e o próprio Obama devaneiam com uma solução democrática à moda ocidental para
o Egito e demais países islâmicos. O que houve no Irã e depois no Iraque só
demonstra que essa solução é impossível nos países islâmicos. Nunca devemos
esquecer que as formas de governo construídas no Ocidente são a sua
especificidade, de difícil reprodução. O fracasso no Iraque, depois de anos
de ocupação, é a prova viva de que nem mesmo a ação estrangeira tem o poder
de parir uma democracia islâmica. Mas ambos sabem que o perigo mudancista no
Egito é imenso. O Egito é
país decisivo para que a paz entre islâmicos e israelenses se mantenha. Se
eventualmente assumir um governo hostil a guerra pode ser questão de dias,
talvez de horas. Não é brincadeira, pois o incêndio seria imediato e a conflagração
poderia se generalizar. Clóvis
Rossi está tão inseguro de suas previsões que em três parágrafos busca apoio
de outros analistas internacionais, igualmente comprometidos com a propaganda
da causa revolucionária no meio islâmico. Estão todos errados. Preciso dizer
que não apenas os interesses dos EUA estão em perigo, mas de todo o mundo. Um
conflito generalizado entre Israel e o mundo islâmico arrastará consigo as
potências, mesmo que elas não queiram. Análises erradas têm graves conseqüências,
sobretudo por parte daqueles que têm responsabilidade de governo. |
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