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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O DETRATOR DE VARGAS LLOSA 14/11/2010 O escritor argentino Alberto Manguel, um ilustre e afamado que se diz também canadense,
teve a ousadia de afirmar, na Feira Literária Internacional de Pernambuco
(ver no Estadão),
que o escritor peruano recém laureado com o Prêmio Nobel, Mario Vargas Llosa,
é “imundo”. Tive um choque. Vargas Llosa imundo? Só podia ser um engano ou má
fé. Tenho do escritor peruano, de quem li quase toda obra e por quem nutro
admiração, a melhor das imagens: um homem íntegro, elegante, criativo, de
corte político-ideológico o melhor possível no mundo de hoje, liberal
clássico. Imundo? Não, certamente tal adjetivo depreciativo não se aplica a
ele. Vargas Llosa, além de tudo, foi contemplado
com honra ainda mais superior do que o Prêmio Nobel: foi escalado para fazer
o prefácio principal da edição comemorativa ao quarto centenário do Dom
Quixote, de Miguel de Cervantes, patrocinada pela Casa Real espanhola. Tomou
o lugar de algum espanhol que, de sangue e de direito, poderia ter tal honra.
E o fez por seu talento e sua erudição cervantina,
mestre que é da língua espanhola. Seu texto no prefácio é um primor de
crítica literária. Imundo? Impossível, alguém imundo não teria tido acesso a
tal honra e nem poderia ter a intimidade e afinidade com a obra de Miguel de
Cervantes. Nunca li nada do famoso Alberto Manguel, que publicou vasta obra, muitas delas traduzidas
para o português. Claro que é uma lacuna clamorosa minha não ter lido nada de
tão notável escritor. Mas tenho uma boa desculpa para tal: gasto meu tempo
com a obra de Vargas Llosa e de Cervantes, meus autores preferidos na ficção
espanhola. Não tive tempo de procurar aquele que chamou Vargas Llosa de
imundo. Imundo? Só pode ser birra, já que engano não foi. Pesquisei na internet e descobri uma antiga entrevista,
disponível no blog de Tania Menai,
a entrevistadora, dada por Manguel. É de 1999. Foi-me
útil para me informar sobre o que pensa o prestigioso escritor argentino,
agora canadense. E o que li? Lugares comuns enfileirados um após outro, todos
de acordo com o politicamente correto. A tirar a obra pela entrevista penso
que não perdi grande coisa deixando-a de lado. A começar pelo título: “Ler é poder”. Ah, não posso concordar
com tão douta proposição. Para mim, ler
é saber. E saber é algo bastante perigoso e subversivo. O que tenho visto
é que os homens de poder mais das vezes são inimigos das letras. Nosso Brasil
deu ao mundo um maravilhoso exemplo disso ao eleger o apedeuta
Lula presidente. E repetiu o feito a eleger a semi-apedeuta
Dilma sua sucessora. E elegeu o palhaço Tiririca o mais bem votado dos
deputados. Esses três, se conseguissem ler algo,
certamente prefeririam um Manguel a um Vargas Llosa. Os grandes homens das letras de todos os
tempos quase sempre entraram em conflito com o poder, a exemplo de Miguel de
Cervantes, que deu com os costados na prisão. E do próprio Vargas Llosa, que
se colocou contra o que há de pior na política internacional: o genocida
Fidel Castro, seu séquito em todos os países latino-americanos e também o próprio
ditador peruano Alberto Fujimori, que governou o Peru por longo período. Alberto Manguel até
tentou ser espirituoso: "Que esse prêmio seja
destinado a um ser humano imundo, não quer dizer que não seja um grande
escritor".
A propósito, a frase está muito mal construída, para um escritor de tanto
prestígio. Só Lula para acompanhá-lo nessa. Ou Tiririca. Ao menos pareceu
reconhecer os méritos literários evidentes do peruano. Imundo? Ora, com a
vida organizada que tem, com o temperamento de nobre britânico que tem, com a
finess reconhecida que é sua marca registrada a tal
imundícia a ele atribuída certamente não é derivada de sua vida privada. Nem
de sua obra, aclamada até pelo Manguel. Então só me
resta crer que o escritor argentino, agora canadense como se apresenta,
atribui a tal imundícia às posições políticas de Mario Vargas Llosa. É assim que a esquerda se comporta. Se alguém
não reza pelo seu credo é inimigo e, ainda que talentoso e laureado, lançará
sobre o dissidente o opróbrio mais depreciativo, sempre que possa. Desconfio
que o famoso escritor argentino e canadense Alberto Manguel
foi apenas um portador de recado da malta fiel a Fidel. Vargas Llosa jamais
terá perdoada a sua ousadia de combater o castrismo,
o comunismo e todas as formas de totalitarismo. Mas não será um afamado
argentino-canadense, cuja obra ninguém leu, que conseguirá atingir o
grandioso naquele que é realmente grandioso. Vargas Llosa não foi
engrandecido pelo Prêmio Nobel. Deu-se exatamente o contrário: seu nome
elevou o laurel sueco. Aos homens menores, mas honestos, caberia aplaudir.
Aos menores desonestos e despeitados, bem, a estes cabe enxergar imundície
onde reluz o ouro mais puro. São aqueles que atentam não apenas contra a
inteligência, mas também contra os bons costumes. São os imundos por antonomásia. |
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