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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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DESPERTAR DE CÉSAR BENJAMIN 03 de dezembro de 2009 Os dois
artigos publicados por César Benjamin na Folha de São Paulo (“Os filhos do Brasil” e “Por que agora?”) precisam ser lidos por todos os brasileiros. Ao artigo inicial coloquei meu dedo de dúvida
e até pensei que se tratasse de uma peça político-eleitoral. O segundo artigo,
todavia, publicado ontem, foi esclarecedor e corrigiu meu engano: o autor é
portador de uma mensagem política a mais relevante, retirada de sua aguda
observação da cena que se desenrola diante de todos nós. César Benjamin só pôde
fazer isso porque tem grande integridade moral. Ainda bem que o fez antes que
os acontecimentos se precipitem. O ponto central
do primeiro artigo é demonstrar a loucura que está sendo o culto à
personalidade de Lula, descasado do homem real. Lula tem as qualidades e
defeitos comuns a qualquer um e Benjamin recordou um deles, o assédio sexual
narrado pelo próprio Lula, que mostrou ser ele um sujeito escravo de seus próprios
instintos e sem qualquer limitação moral. O oposto do retrato idílico feito
pelo filme comentado de Fábio Barreto. A motivação de
Cesar Benjamin, todavia, só está claramente exposta no segundo artigo,
escrito para combater os críticos, que o acusam de ter traído a “causa”. O
que moveu o autor foi perceber os perigos em que o Brasil está embarcando, a
bordo dessa loucura política, em tudo e por tudo cada vez mais parecida com a
loucura política de Mussolini e Hitler. E também de Stalin e Mao Tse Tung.
De novo e de novo a história se repete, agora em
nosso quintal. Bem sabemos que a mistificação em larga escala da política deságua
em violência e a história da primeira metade do século XX dá-nos o resoluto
testemunho dessa realidade. Essa propaganda
maciça em torno da figura pública de Lula está ocorrendo em paralelo com a ação
de tomada do poder de Estado pelos quadros do PT e seus aliados, em todos os
recantos. Como jamais houve na nossa história temos agora a fusão do partido
com o Estado, dentro também do figurino do totalitarismo do século passado. Um
ângulo saliente dessa tomada de poder é a colocação da Polícia Federal e da
Justiça a serviço dos interesses do partido. A PF tem sido o aríete responsável
pela destruição dos inimigos políticos, sempre sob o manto judicial. A agonia
de José Roberto Arruda é apenas o último exemplo de uma sucessão de casos. A
questão é saber: por que é assim? Por que trilhar de novo esse caminho? Ora, um passo
vem depois do outro. Essa gente chegou ao poder com um projeto revolucionário
e, desde o primeiro dia, passou a trabalhar para chegar ao alvo, o poder
total. Não encontrou resistência de espécie alguma e cada vitória alcançada
deu-lhe convicção da eficácia do caminho escolhido. Como Lula e o PT não tiveram
como dar o golpe de Estado restou a via eleitoral, a
mesma via de Mussolini e Hitler. O que temos visto é que os dirigentes não
tiveram nenhum escrúpulo e mobilizaram todas as forças para se perpetuarem no
poder, dentro das regras eleitorais. O segredo de Lula e do PT é apenas esse:
a falta de escrúpulos e a ambição desmedida, no rumo do Estado totalitário. O
filme “Lula, o filho do Brasil” é o carro-chefe de sua propaganda. Lula e o PT
estão apenas seguindo o roteiro dos que vivem dentro da Segunda Realidade
revolucionária. Seus passos são bastante previsíveis e o estrago é também
previsível. Estou certo de que a fase violenta da tomada do poder está em
processo de acontecer. Seu começar depende de circunstancia, em especial de
qualquer movimento organizado que se oponha à alucinação revolucionária. Uma
ameaça eleitoral que seja pode acionar o gatilho. Ao primeiro ato de resistência
teremos o primeiro ato de “justiça” revolucionária. Daí ao genocídio é questão
de tempo. Basta observar a política externa de Lula, em especial seu
alinhamento com o Irã e a sua ação em Honduras, para vermos a mais crua
estupidez política posta a serviço do delírio revolucionário. No plano
internacional é que o delírio de grandeza se manifesta de forma mais
acentuada. Cesar Benjamin é
de esquerda, alguém dirá, e onde está a coerência? Penso que acima das
ideologias está o real e Benjamin enxergou o real. Agora terá que fazer o
acerto consigo mesmo e abandonar a estupidez
esquerdista. O mais difícil ele já fez. O passo seguinte será inevitável. Foi
assim com George Orwell e muita gente boa no período que precedeu a Segunda
Guerra. Está sendo com César Benjamim. |
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