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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O DEBATE NA REDE TV! 17/10/2010 Encerrado agora o debate na Rede TV!, o que dizer? O que concluir? Primeiro, José Serra foi o grande vitorioso, porque
conseguiu passar com clareza a sua mensagem, sempre “conversando” com o
telespectador. O debate gerou farto material para ser usado no horário
gratuito de sua propaganda eleitoral. Segundo, que José Serra ganhou também
por causa do despreparo de Dilma Rousseff e do erro
estratégico que esta cometeu. Explico-me. Dilma errou por insistir em falar mal da
administração tucana em São Paulo, cujo governo foi consagrado nas urnas em
primeiro turno. José Serra não perdeu a oportunidade de apontar a inconsistência
entre a eleição consagradora de Geraldo Alckmin e as críticas descabidas
feitas pela adversária. De tão insistente que o candidato tucano apontou o
viés anti-paulista de Dilma, obviamente não
intencional. Certamente esse tipo de discurso não lhe acrescentou um voto
fora de São Paulo, mas tirou muitos por aqui. O segundo erro de Dilma foi insistir no tema
das privatizações, discurso que só comove seu eleitorado cativo. Essa palavra
de ordem é incapaz de comover quem está fora do aparelho de Estado. Agravou a
fraqueza do argumento porque ela veio com um nome de uma empresa que ninguém
conhecia e que, ao fim e ao cabo, tratava-se de um empresa
privada e o caso não era de privatização, mas de estatização não consumada. Sua
fala ficou completamente confusa e desmoralizada. Ela se perdeu no tema e
mostrou despreparo. Dilma errou também na insistência de querer
comparar os governos de FHC e Lula, dando a José Serra a oportunidade de
lembrar à audiência quem são os ex-presidentes apoiadores de ambos os
candidatos. Do lado da Dilma, José Sarney e Fernando Collor; do lado do
Serra, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco. Gol de placa. Penso que
esses apoios são a síntese da vitória de José Serra e o fracasso da Dilma. Preciso lembrar aqui que Fernando Collor de
Mello foi cassado em rumoroso processo político e José Sarney é o autor da hiperinflação
que Fernando Henrique Cardoso, com sua brilhante equipe de economistas, conseguiu
debelar. São fatos maiúsculos e recentes, que estão na memória de todos. Além disso, a candidata estava visivelmente
insegura e desmotivada, como se tivesse previamente perdido o debate no plano
psicológico. Lembrou-me Lula diante de Fernando Collor quando foi trazido o
caso Lurian. A candidata está se vendo derrotada,
não passa convicção, não transmite emoção. Está sem discurso e sem energia,
está derrotada por dentro. Como um boxer à espera
do golpe final. Dada a proximidade das eleições e o efeito imediato desse
debate, não tenho dúvida de que uma parte do eleitorado deixou Dilma Rousseff em favor de José Serra. É a pá de cal que
faltava para enterrá-la. Se não errar, Jose Serra poderá ser sagrado presidente da República no próximo dia 31. |
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