NIVALDO
CORDEIRO: um espectador engajado
OCASO DE UM FARSANTE
01/12/2005
A cassação
do deputado José Dirceu consumada ontem lava a alma coletiva dos brasileiros
que “sabem” qual é o sinistro projeto das esquerdas
para nosso País. Dirceu mais do que ninguém simboliza essa marcha dos
revolucionários para seus propósitos ditatoriais. Dirceu exerceu o poder, seja
no PT, seja enquanto ministro de Estado, na plenitude, com o fito de construir
“um outro mundo possível”, aquele mundo que vigorou e vigora onde se ergue a cortina de ferro do comunismo. Em Cuba ele sempre teve a
miragem do paraíso almejado e com o ditador da Ilha fez a amizade mais
fraterna.
Dirceu tem a
psicologia do ditador latente, que não hesitaria um segundo para repetir aqui a
desgraça que se abateu onde povos foram submetidos à
ditadura do proletariado.
Dirceu
conseguiu a proeza de ser cassado – banido da vida política formal até 2.015 –
por dois motivos fundamentais. Em primeiro lugar, pela incompetência de fazer
uma análise correta do meio em que estava inserido. Não avaliou corretamente as
forças políticas em jogo, qual o tamanho do poder real da Presidência da
República. Não deu o devido peso ao Brasil formal, às instâncias permanentes de
poder de Estado. Subestimou o Congresso Nacional,
supondo que lá só tinham dois tipos de gente, os 300 “picaretas” sujeitos a “mensalões” e os “puros”, integrantes das agremiações de
esquerda.
O segundo
motivo foi a arrogância, a mesma que destruiu gente
como Collor de Mello e Luiz Estevão. Essa arrogância que o levou a tratar as
pessoas de forma imperial e a desprezar os contatos políticos cotidianos, que
de banais nada têm na vida institucional. É na conversa do dia a dia, no ouvir,
no cumprimento da palavra dada que se forma a reputação de um político. Dirceu
sempre fez o contrário disso. O caso de Roberto Jefferson, para ficarmos apenas
nesse que está na raiz do seu infortúnio, é exemplar. Prometeu e não honrou a
palavra; fez do deputado um moleque, enganado-o e aos
seus correligionários; pior, subestimou-o a um homem habituado ao poder, a manobrar
nos bastidores e portador de um incomum traço de personalidade suicida, que não
hesitou em sacrificar-se para alcançar a sua vingança. Jefferson hoje deve
estar de alma lavada. Comeu prazerosamente sua vingança em prato frio.
Além de
incompetente, Dirceu é também um farsante. Um guerrilheiro autoproclamado
que nunca pegou em armas; um enganador que tomou uma mulher por esposa sem nada
dizer de si e abandonou-a quando pôde voltar à luz; um revolucionário de
botequim que, ao chegar ao poder, não hesitou em trair o próprio discurso e as
próprias promessas, esquecendo-se da pregação de toda sua vida, levando sua
gente a fundar o P-Sol, esses muito coerentes; traiu o Congresso Nacional ao
assalariar parte de seus quadros para manobrá-los qual
marionetes; traiu Lula, ao relutar em sair do governo em tempo hábil
para evitar um maior desgaste; traiu até mesmo seus amigos do STF, fazendo-os
passar por ridículos, aviltando sua condição de maiores magistrados. É um
traidor da Pátria, quis pegar em armas contra a República e contra o povo.
A justiça
política que recebeu foi merecida. Já vai tarde.