NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado

 

 

 

 

 

 

 

O CAMINHO DA SERVIDÃO

26/12/2002

 

Aproveitei o recesso natalino para reler a obra-prima de Hayek, "O Caminho da Servidão", editado pelo Instituto Liberal do Rio de Janeiro. Sem demérito para os demais críticos do socialismo e defensores da liberdade, nesse livro o autor supera tudo: é a mais demolidora crítica contra o totalitarismo já escrita, utilizando uma argumentação sintética altamente desmistificadora da falsa utopia socialista. Seu texto lembra os diálogos socráticos, argumentando dialeticamente de forma impiedosa, contra os inimigos da liberdade.

 

O livro foi publicado pela primeira vez em 1944, ainda antes do término da guerra, quando a discussão sobre as origens das idéias nazistas estavam no auge. Penso que Hayek foi o primeiro escritor a apontar, com todas as letras, o parentesco entre o socialismo e o nazismo. Vai mais longe. Demonstra que o nazismo não teria triunfado de maneira rápida se o terreno não tivesse sido preparado por décadas de pregação e prática das idéias socialistas. Mostra também que os principais ideólogos do nazismo e do fascismo foram, na origem, socialistas, sem exceção. Socialismo e totalitarismo são uma única e mesma coisa, conclui ele.

 

Hayek aponta que o socialismo "de direita" (facismo e nazismo) nasce precisamente no caldo de cultura criado com as idéias igualitárias e de planejamento estatal e tem como base social os que sacrificam a liberdade em busca de suposta segurança. Ao executar essas políticas, a classe média empobrece e passa a buscar a mesma falsa segurança sob as asas do Estado protetor, tornando-se a raiz social do nazismo. A conclusão é que, no longo prazo, as práticas socialistas levam necessariamente ao totalitarismo.

 

Nada mais atual para nós brasileiros a discussão desse livro, pois vimos de duas décadas de plena revolução gramsciana. Hayek percebeu que a classe pensante alemã, sublinhando os professores universitários e cientistas, aderiu de forma acrítica à utopia igualitária, dando legitimidade para as arbitrariedades praticadas pelos novos senhores socialistas que se apossaram do Estado. No Brasil de hoje, a universidade e a imprensa, toda ela, estão nas mãos dos autodenominados "progressistas". A eleição de Lula foi apenas o corolário desse grande esforço de comunicação mentirosa.

 

Não é sem razão que o autor mostra que nesse processo a verdade é a primeira sacrificada. O que vale para os formadores de opinião agora (como antes) é agradar aos novos senhores, é saber se o que escrevem é adequado à cartilha do partido e ao discurso dos líderes, mesmo que seja um grande absurdo. Criou-se, à época, até uma matemática socialista! É todo um reino de mentira que se constrói, mentira esta que alimenta o discurso político, mesmo que contrarie a realidade mais imediata e óbvia. O que importa é a anulação dos indivíduos diante do Estado, o poder pelo poder. Institui-se novamente o reino da servidão: todos viram escravos do Estado.

 

Se você, caro leitor, ainda não teve acesso ao livro, faça-o correndo. Está disponível para venda na Internet pelo sítio do Instituto Liberal do Rio de Janeiro.É uma necessidade para a higiene mental ler um texto assim. É uma bússola para atravessar os tempos sombrios que fatalmente viveremos.