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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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O BANDIDO E O MAGISTRADO 02/06/2012 O episódio
mais espetacular da política nesta semana foram as revelações da revista Veja
sobre o diálogo travado por Lula com o ministro do STF, Gilmar Mendes. Lula
ousou procurar o ministro para sugerir a "inconveniência" do
julgamento do mensalão agora. Não me lembro de uma
intromissão tão ostensiva numa corte como esta na história recente: Lula
simplesmente tentou "melar" o mensalão,
para o bem de todos os petistas e a impunidade dos mensaleiros. No gesto
podemos ver todo o grau de descompromisso de Lula e seu partido com a
democracia, que tem por primeiro o princípio de respeito às instituições e da
igualdade de todos diante da lei. O despropósito da iniciativa foi
prontamente rejeitado pelo ministro, como era de se esperar. O vazamento do
fato pela revista Veja transformou o acinte em escândalo nacional. Desde
então Lula se colocou, primeiro na ofensiva, acusando o ministro, vítima de
um lobby mal feito e acintoso, de ser o autor do escândalo. Depois Lula caiu
em um silêncio sintomático, típico dos culpados que desejam deixar o tempo
passar, para que os fatos esfriem. Não adiantou.
O número da revista Veja que acabou de chegar às bancas deu capa ao
episódio ("Um tiro no pé").
Veja foi além, ao escrever que está de posse de um documento que dá
orientação do que fazer pelos petistas diante da ameaça do julgamento do mensalão, inspiração para a ação de Lula. O PT partiu
para o vale-tudo, inclusive na ousadia de Lula de tentar coagir o ministro
Gilmar Mendes. Eis a descrição da
revista sobre a ousada abordagem do ex-presidente: "Lula bem que tentou. Dispensou as
liturgias esperadas de um ex-presidente, brandiu obscenamente versões como se
fossem fatos, atropelou a lei, mandou às favas os bons costumes, a educação e
a civilidade. Tudo para tentar o impossível: apagar da memória recente da
nação que sob o seu governo se deu o mais escândalo de corrupção da história
da República. Foi patético. E inútil." Uma descrição
mais incisiva do fato não poderia ser produzida. Veja está de parabéns por se
manter do lado certo, da verdade. As duas edições da revista, desta e da
semana anterior, são uma ode à liberdade de imprensa. Bem sabemos o poder que
o Estado central tem sobre verbas publicitárias e outros mecanismos de
"amansar" a imprensa. Veja manteve-se impávida, servindo
adequadamente os seus leitores com a verdade dos fatos. O impacto das
revelações não será pequeno no plano eleitoral. Lula contava em eleger
Fernando Haddad em São Paulo, de algum modo cativando a classe média
paulistana. O escândalo inviabilizou o propósito, mesmo porque, surpreendendo
a todos, a Rede Globo noticiou o escândalo em destaque no Jornal Nacional e,
no dia seguinte, no Bom Dia Brasil. Inclusive entrevistando o ministro Gilmar
Mendes. Ato de coragem da Globo? Ato de luta pela sobrevivência. Se métodos
como este contra um magistrado fossem ocultados da opinião pública a própria
razão de ser da imprensa desatrelada dos governantes deixaria de existir. O episódio
foi gravíssimo, mas o resultado final pode ser positivo. O PT certamente
perdeu muito votos e também a credibilidade com o lobby desastrado de Lula. E
vimos o triunfo da imprensa livre, contra os poderosos governantes. Não é
pouco. |
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