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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OBAMA NAS ALTURAS 15/11/2008 Quero
falar de economia e crise econômica, mas não é possível fazê-lo sem ter o
descortino completo da paisagem política, daí o titulo deste comentário. O
que quero sublinhar, caro leitor: primeiro, a unanimidade quase absoluta dos
“doutores” da crise. Todos os economistas que estavam no “armário” assumiram
seu lado estatista e desde o setembro negro a ala assumida e alegre dos apologistas do
deus-Estado ganhou as ruas e as colunas de jornais. Há um franco campeonato
para saber quem é mais sabido em agigantar o Estado a fim de nos livrar da
crise, quem tem mais “coragem” em estatizar. Em segundo
lugar, a ausência de economistas que assumam a defesa franca da verdade
científica. O fato de a doxa urrar a mentira
econômica igualitarista e estatista
não aboliu a verdade enquanto tal, que precisa de novo de defensores e de
bons escritores. Há exceções, como o notável Nouriel
Roubini, que nunca se enganou e jamais enganou seus
alunos e leitores (veja o link http://pages.stern.nyu.edu/~nroubini/)
e os economistas seguidores da escola austríaca
(veja os links http://austriaco.blogspot.com/
e http://www.ubirataniorio.org/ ).
Mas essas pessoas formam uma espécie de gueto
científico, um cume isolado e coberto
permanentemente pela névoa da poeira da planície onde a massa trota e produz o
ruído da doxa. Os jornais
do mundo inteiro estão tomados pelos “sabedores” da receita anticrise: mais emissão de moeda, mais crédito, mais
intervenção de Estado, menos juros (exceto no Brasil, onde os economistas
tupiniquins conseguiram o milagre esdrúxulo de aumentar a oferta de crédito
sem reduzir a taxa de juros. Os macunaímas
economistas são todos assalariados da Banca). Os artigos de Paul Krugman, amplamente traduzidos no Brasil, dão um
deprimente painel dessa tragédia, verdadeira desgraça que não se esgota no
anular o saber econômico, mas que tem forte impacto nas ações de homens de
Estado, os tomadores de decisão. Há um consenso entre eles de que, para a
humanidade se livrar da crise gerada pelo ogro estatal, é preciso alimentá-lo
mais e mais, a ponto de transformá-lo no Tiranossauro Rex
do pesadelo de todos os homens livres. “Remember,
remember, the 5th november!” Refiro-me aqui não ao lindo filme V
DE VINGANÇA, mas ao último quinto dia deste trágico novembro, ao espantoso
evento na praça pública de Chicago onde Barack Obama fez o primeiro discurso como presidente eleito. O
conteúdo daquele discurso – sóbrio, diga-se – é irrelevante diante do
simbolismo daquela multidão prostrada diante daquele que consideram um
salvador, um Sóter. Hipnose de massa, eu lá vi,
gente do porte de Colin Powell a
chorar feito criança. Um general em topo de carreira
não poderia se prestar àquela cena deprimente e não perceber o perigo que se
acerca. O que dizer dos homens simples? Powell estava cego pela hipnose de
massa. Uma multidão de zumbis urrava ao presidente eleito: “Yes, we can” e “Change”. Deus nos acuda! Obama nas alturas do poder fecha o círculo mágico demoníaco no qual
a humanidade se enroscou nesses tempos sombrios: a economia entrou em débâcle
e assumiu o poder um governante que encabeça uma conjunção de forças
políticas que é um consórcio das forças do Mal. Essa gente não apenas não
sabe como enfrentar a crise, mas quer precisamente usar dos mesmos
expedientes que estão na gênese da crise. Então a forte crise, que seria
sofrida e perigosa se conduzida por gente consciente e sábia, pode tornar-se
algo de proporções catastróficas por falta de líderes capazes. Obama nas alturas do poder é essa realidade política incapaz de
fazer frente à necessidade dos tempos. Obama é o
presidente que espelha os anseios das multidões, mas que não sabe o caminho a
percorrer e não tem autoridade para impor às massas os sacrifícios que
precisam ser feitos. As massas esperam dele precisamente facilidades e
bondades artificiais. Mas haverá sacrifícios da mesma forma, só que aleatórios, impostos
pelas circunstâncias incontroláveis, uma tempestade de areia em pleno deserto.
Uma desgraça. Precisávamos
de alguém como José do Egito regendo o poder, não de um Faraó despreparado.
Será que teremos que ter sete anos de seca e miséria? E, depois, Deus mandará
de novo a fartura das chuvas fecundas? Onde está o José? Oh, dor terrível, só
vejo Obama nas alturas. |
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