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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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OBAMA E A RESPONSABILIDADE FISCAL 01/08/2011 Finalmente
um acordo? Assim os principais jornais de hoje abriram suas manchetes, mais parecendo
torcida do que informação. Ninguém parece saber saber ao certo o que está rolando nos bastidores
da Casa Branca. A mídia engajada na causa social-democrata, inclusive aquela
do noticiário das TVs, ainda está incrédula com a capacidade de um bando de
caipiras conservadores, organizados em torno do movimento Tea
Party, de ter não apenas impedido a alucinação dos
operadores econômicos da social-democracia – nos EUA liderada pelos Partido
Democrata – e sua crença de que é possível acabar com, ou ignorar, a Lei da
Escassez, a lição elementar de qualquer economista iniciante. Os termos
do suposto acordo ainda não estão inteiramente claros, mas o ponto essencial
é duplo. De um lado, nenhuma menção a qualquer elevação de tributação, fato
econômico novo mais sensacional em pelo menos cem anos. É a vitória
esmagadora dos conservadores, que finalmente impuseram aos democratas a tese
mais preciosa de que é preciso acabar com o roubo estatal na forma de
impostos. Do outro, a decisão, também imposta, de cortes de gastos públicos
em cifras trilionárias, fato também sem paralelo.
Lembremos que há dois anos os chamados bailouts eram alegremente
executados e toda sorte de irresponsabilidade fiscal praticada em nome do
combate à crise. Novamente a agenda do Tea Party, integral. Na América o naufrágio completo da
social-democracia alucinada está se dando pelo instrumento da razão e dentro
da ordem democrática. Portanto,
estamos aqui diante de dois projetos de Estado, um que fracassou,
o social-democracia e sua mentira de que sabe superar a Lei da Escassez, e o
conservador, triunfante, que exige a redução do Estado e o cultivo da
economia de mercado. Na Europa acontece a mesma necessidade, mas lá falta o
elemento político organizado capaz de proceder à transição de forma organizada e
negociada. Os casos de quebra técnica dos países estão impondo o abandono da
irresponsabilidade fiscal do projeto social-democrata à força, mas
contrariando o desejo e as crenças das elites políticas e econômicas e das
massas mobilizadas em greves alucinadas contra a realidade. É claro
que a derrota política de Obama é espetacular. Todavia, saúdo a sua
capacidade de negociar um acordo, o único possível, que enterra suas mais
profundas convicções políticas e que tem sido seu discurso político-eleitoral
desde sempre. Ao menos não fez a política de terra arrasada e está fazendo a
retirada organizada. Evidente que toda essa metamorfose econômica terá
profundos impactos eleitorais. Os conservadores, ao imporem sua agenda, dão a
largada à frente para as eleições do ano que vem. Os tempos
agora são de disciplina fiscal, de Estado mínimo, de racionalidade na
condução da coisa pública, do cultivo dos valores da economia de mercado.
Juro que há seis meses eu nunca imaginaria um cenário desses, tão benigno, tão
emblemático, tão paradigmático. O exemplo americano será certamente imitado
pelas demais economias do planeta. A razão prevaleceu. A realidade
prevaleceu. A mentira social-democrata está sendo impiedosamente enterrada,
para o bem geral da humanidade. |
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