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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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NOVAS PESQUISAS DO DATAFOLHA 24 de julho de
2010 Na edição de
hoje da Folha de São Paulo o instituto de pesquisa que tem para mim a maior
credibilidade (Datafolha) trouxe mais uma rodada de pesquisas. Vou
analisá-las, pois há fatos novos relevantes para compreender as tendências do
eleitorado. Deve-se ter em conta que as intensas manifestações ao longo da
última semana, a partir das denúncias do candidato a vice, Índio da Costa,
sobre as ligações de Lula e do PT com as FARC e o crime organizado, ainda não
foram captadas. É certo que ao menos no segmento mais informado da opinião
pública essas denúncias causaram grande impacto, que não foi medido pela
pesquisas. O primeiro
ponto saliente é que os dois principais candidatos, José Serra e Dilma Rousseff, aparecem empatados (37% contra 36%), contrariando
pesquisas divulgadas pelo Instituto Vox Populi, que
apresentou resultado inverossímil, dando larga vantagem à candidata da situação,
da ordem de 8%. A pesquisa do Datafolha demonstra que o processo de
transferência de votos de Lula para sua afilhada parece ter se esgotado,
bateu no teto. O segundo fato relevante é que José Serra continua bem votado
nos colégios eleitorais do Sul e em São Paulo, justamente onde as denúncias
do conluio entre o PT e as FARC repercutiram intensamente. Não creio que nas
próximas semanas Dilma Rousseff consiga qualquer recuperação
de intenção de votos na região, havendo grande chance de José Serra ampliar
sua vantagem. Dilma continua
muito bem aceita na região Nordeste, fato já esperado e de difícil reversão.
Mas a região é proporcionalmente menos relevante no tamanho dos colégios
eleitorais e ali não se definem as eleições majoritárias. O nó está no
Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, onde Dilma está na frente
de José Serra (37% contra 31%). Mas o Rio tem uma larga classe média,
altamente sujeita à repercussão da denúncia das ligações do PT com as FARC. A
crise de Hugo Chávez com a Colômbia e a cumplicidade de Lula com o ditador venezuelano
podem também influir contra a candidata da situação. Penso ser essa maioria
petista por lá provisória. A liderança de Dilma no Rio pode não se manter. Finalmente, o
Estado de Minas Gerais, onde os candidatos estão empatados. Será nas Gerais
que as eleições serão decidas. O papel de Aécio Neves é altamente relevante,
a partir de agora, para alavancar votos para o candidato do seu partido. Os
próximos sessenta dias serão de grande importância para que isso aconteça. Serra tem a
seu favor a sua enorme capacidade de comunicação, em comparação com a
inexperiência e a fraqueza congênita de Dilma Rousseff,
que não consegue fazer uma fala de improviso. Ela parece um boneco de ventríloquo,
leitora de textos prontos. Quanto mais se aproximarem as eleições e o os
debates na TV, mais veremos esse seu despreparo, que poderá lhe custar muitos
votos. Em São Paulo,
além do violento impacto da denúncia da relação do PT com as FARC, temos o
registro de que Geraldo Alckmin tem 49% das intenções de votos, que tendem a
aumentar. O desprestígio do PT entre os paulistas é total. Alckmin será o
grande eleitor do Serra. Tudo leva a crer que São Paulo conhecerá seu novo
governador em ainda no primeiro turno. Ganhar forte em São Paulo é tudo que
José Serra precisa para consolidar a sua candidatura e vencer as eleições. |
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