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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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NO RUMO DO ESTADO TOTAL 20 de maio de 2009 Que tem de
extraordinário que a Perdigão e a Sadia estejam se fundindo numa única
corporação? Nada demais, se sabemos que economias de escala e força comercial
são elementos essenciais para um participante do mercado global. Há, todavia,
uma questão maiúscula para a qual o caro leitor deve atentar. O problema não
é a fusão em si, mas bem outra coisa, o “como” essa
fusão está sendo feita. Aqueles
que acompanham o que eu escrevo sabem que de há muito venho analisando o
fenômeno da formação do Estado Total
nos tempos contemporâneos. Será este o fato político mais marcante e decisivo
da atualidade. O Estado agigantado não solapa apenas a economia liberal, ele
esmaga o indivíduo e tudo que está associado a ele, inclusive as idéias
liberais e cristãs. Em outras palavras, estamos vendo os valores que formaram
o Ocidente sendo destruídos em larga velocidade e a dimensão econômica é uma
de suas molas propulsoras. O caso da
fusão Perdigão/Sadia é emblemático para ilustrar esse processo. Quem
controlará a nova sociedade? Os fundos de pensão de empresas estatais, que no
momento estão sob controle dos sindicatos, juntamente com o BNDES, o braço
estatal que também é controlado pelos sindicatos. E quem controla os
sindicatos? O Partido (com P maiúsculo), cuja face maior e mais visível é o
PT. Esse Partido nasceu do antigo PCB e é a agremiação que congrega todas as
forças de esquerda, na crença satânica no socialismo. É o
Partido que controla o Estado e os sindicatos e, assim, controla as empresas.
E controla as estatais, a começar pelo Banco do Brasil e a Petrobras. Vivemos
em um regime de partido único. A cada momento o Estado se agiganta ainda
mais, em prejuízo dos indivíduos. Para os proprietários vendedores das
empresas que se fundem pode parecer um bom negócio, para a estrutura geral do
sistema econômico a estatização e a sindicalização de tudo são um desastre
tremendo. E o
Partido controla a Receita (e a emissão de moeda, o próprio Banco Central),
que controla a vida de todos. Que controla as polícias que são a força armada
que controla a vida de todos também. Que controla as empresas produtivas, que
controlam os empregos de todos. Que controla os bancos, que controlam as
finanças de todos. Que controla as escolas e os professores
e o material de ensino, controlando assim a mente de todos. Que controla os
meios de comunicação e assim dirige o processo de consciência coletivo.
Rigorosamente falando, está tudo dominado pelo Partido. O desaparecimento do
espaço individual de liberdade é um fato. Na esfera econômica está em vias de
se completar. Na esfera política é uma realidade de há muito. Mesmo aquelas empresas que nominalmente ainda são privadas estão
subordinadas ao Partido, porque pagam muitos impostos, porque dependem de
licença para tudo, tem fiscal na porta para tudo, estão sujeitas a todo tipo
de arbítrio e regulamento e ultimamente, para piorar, os juízes e promotores
julgam contra as empresas privadas por serem elas supostamente exploradoras.
Qualquer vara do Trabalho tem decisões diárias contra essas empresas
“exploradoras”. Tudo está dominado. Nenhum espaço de liberdade sobrou, nem
fumar um cigarro agora é mais permitido. A liberdade está morrendo. Não
consola pensar que este é um fenômeno brasileiro, porque não é. Escrevi
abundantemente sobre a crise atual, mostrando que na origem da mesma está o
socialismo de fundo de pensão que tomou conta dos Estados Unidos. Basta
lembrar que os maiores acionistas da GM são seus próprios empregados, seja
pelo sindicato, seja pelos fundos de pensão, seja,
ainda, pelo fundo de assistência médica... dos empregados. Nos Estados
Unidos, assim como na Europa, criou-se um tipo de empresa sem capitalista, a
própria negação do capitalismo. Está aí a raiz da crise, porque o socialismo
– único termo capaz de descrever o fenômeno – é irracional e contrário às
liberdades individuais. O socialismo é um regime econômico entrópico por sua
própria natureza. Agora não
apenas o petróleo é nosso, é também
o frango, o porco, o que se come, o que se bebe, a casa onde se mora, o carro que se usa para andar, que este já é uma
pura somatória de impostos, taxas e multas. O ideal fascista em sua plenitude
foi realizado: “Tudo no Estado, nada
fora do Estado, nada contra o Estado”. Bem sabemos onde vai dar essa
trilha infernal. |
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