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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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Moral e política 4 de Junho de
2002 "History is again on the move" (Toynbee). Fazer
política não é necessariamente fazer o bem. Essa verdade é tão antiga quanto a obra de Maquiavel. O grande perigo é justamente
confundir os campos de ação, o da moral e o da política. No âmbito moral,
temos sempre a polaridade bem e mal, opostos irreconciliáveis. Quando se
projeta no jogo político esses referenciais morais, não reconhecendo a sua
especificidade, cai-se necessariamente no maniqueísmo, de tal sorte que tudo que aquilo que me é semelhante é bom e tudo que me é
diferente é mau. Então é possível afirmar que quem confunde moral com
política esconde em si uma inclinação totalitária e intolerante, incapaz de
conviver e aceitar o jogo democrático, ainda que disso não tenha consciência. Quando moral
e política são confundidos, ocorre o preâmbulo da ditadura e o totalitarismo. A política,
vista por sua própria especificidade, é a maneira do homem maduro percebê-la.
Todos aqueles que, de alguma forma, foram tocados pelos ideais do liberalismo
político, aceitam essa realidade e estão preparados para a alternância de
poder e o respeito à vontade das maiorias. Só quem aceita o ideário liberal -
ainda que não o saiba - é que pode conviver com os diferentes e aceitar o
governo daqueles que eventualmente venham a detestar. Essas
reflexões são obrigatórias nos tempos eleitorais que estamos a viver. Na
propaganda política é perceptível o maniqueísmo, mas a propaganda em si não é
nada. Mais importa o que efetivamente são as crenças dos líderes políticos.
Se estes fizerem da indignação moral a base para a sua ação, não estaremos
longe dos campos de concentração e dos gulags, uma
vez que eles sejam alçados ao poder. Se esses indivíduos estiverem possuídos
da certeza messiânica de sua causa, então o processo democrático será para
eles apenas um meio de chegar ao poder, não algo respeitável, uma conquista
da civilização que precisa ser preservada. Ninguém
poderá ter certeza metafísica maior da sua causa do que tiveram os nazistas,
que obtiveram a sua primeira grande vitória em 1930, ao elegerem 107
deputados. Poucos anos depois, deu no que deu. Indivíduos messiânicos,
vitoriosos nas urnas, tornam-se um perigo para os povos. Sua chegada ao poder
precede os grandes desastres. O que vemos
é que a militância de esquerda em nosso país - um pleonasmo, haja vista que
desconheço qualquer militância de direita - está imbuída da sua suposta bondade redentora, enxergando seus
adversários como o seu contrário, o mal absoluto. Um
exemplo dramático do que quero dizer está nos membros O que dizer
então dos militantes ateus dos partidos de esquerda? Fazem da militância e da
ação política o seu próprio deus substituto. Serão bons, e
portanto salvos, todos os que concordarem com os seus preconceitos.
Contrariamente, serão maus, e condenados à danação, todos os que estiverem no
campo adversário. A linguagem religiosa não é mero enfeite. Pensando em
tudo isso é que fico a imaginar como estaremos daqui a dez anos. Será que na
Alemanha de 1930 alguém fez esse exercício de
futurologia? |
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