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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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MEUS GRANDES ESPANTOS 18 de novembro 2008 Meu caro
leitor, vou lhe confessar as coisas que realmente me
espantam profundamente no plano político e econômico. A primeira delas é que
o longo reinado de Lula não trouxe a radicalização que se esperava. O jeito
tupiniquim de fazer as coisas tem a sua marca e Lula é um legítimo filho da
terra. Nós, brasileiros, somos o que somos até ao pretender fazer revolução.
Desde a famosa Carta ao Povo Brasileiro que já se podia perceber, não a
concessão ao princípio de realidade, mas sim, a venda ao melhor preço da
convicção dos revolucionários de véspera. Terá sido
isso talvez o grande bem coletivo que a classe empresarial brasileira fez, de
domesticar o PT pela sedução do dinheiro. Não seria assim se Lula fosse um
Lênin. Vimos depois como Lula descartou Dirceu, Palocci, Delúbio,
Gushiken, Genoino e demais “companheiros” caídos em desgraça. Não o fez por
convicção, mas por puro cálculo político. Mesmo a ala vermelha católica, que
lhe apoiou incondicionalmente, que sempre pediu auditoria sobre a dívida
externa e coisas do gênero, aquietou-se na regra do compadrio e da boquinha.
O MST, que crescia a cada ano e que formava uma ameaçadora milícia revolucionária,
empanturrou-se com as verbas do INCRA e aquietou-se. Saiu das manchetes dos
jornais. Aqueles
que fizeram os dirigentes petistas escreverem a famosa Carta sabiam muito bem o significado da expressão “o preço de um homem”. Claro, o governo
Lula foi essa dança contínua em torno do tema da corrupção, ora mais ora
menos afogado na lama, mas há que ser dito que não houve, em momento algum, crise institucional. Até aqui tivemos seis anos
pacíficos e se abre agora a possibilidade de haver uma passagem de poder de
Lula a um sucessor eleito no meio da oposição. Espero que assim seja, mesmo
que saibamos que nossa oposição é um tanto postiça. Todos, situação e
oposição, comungam das teses igualitaristas e
socialistas por igual. Acaba-se sempre
trocando seis por meia dúzia e a turma da boquinha se locupleta fartamente
(peço emprestado aqui ao ilustre Roberto Jefferson a genial expressão, que
entrou no glossário político nacional). O certo é
que a tese do terceiro mandato saiu completamente da agenda política e no PT
não há um nome capaz de unir as forças que levaram Lula ao poder para encabeçar
uma possível chapa vitoriosa. Os movimentos do PMDB indicam que o “Centrão” já se moveu na direção do novo príncipe e que
esse movimento é irreversível. As eleições da cidade de São Paulo indicam o
provável caminho e que o PT está fora do páreo. Ao sugerir a ministra Dilma Rousseff para sua própria sucessão Lula fez menos um ato
esperteza política do que uma confissão de impotência. Nenhum nome com chance
em Assim o
Brasil faz a sua lenta revolução. Enquanto ela não chega inteira
nossos revolucionários locupletam-se como podem nos cargos do Estado. A segunda
grande surpresa foi ter tardado a crise econômica mundial ora em curso. Pouco
antes de Olavo de Carvalho ir morar nos EUA ele esteve em minha casa (deve
ter uns três anos) e me perguntou o que eu achava que ia acontecer na
economia mundial. Eu lhe disse: “Olavo,
a inflação em dólar já deveria estar alta, a recessão deveria ter acontecido,
mas os gringos, por algum milagre que me escapa, estão vivendo uma
prosperidade nunca vista. A ciência econômica não endossa isso, é um castelo
de cartas. Um evento marcante, uma guerra ou um cataclismo isolado pode vir a
ser o detonador de uma grave crise mundial”. Nem
precisou disso. Bastou estourar a bolha imobiliária, que àquela altura eu
desconhecia como estava sendo construída. Acho até que fora dos “operadores” daquele
mercado pouca gente sabia do monstro que estava sendo parido. Surpreendeu muita
gente, inclusive a mim. O certo é
que a ciência econômica nunca se enganou e a crise veio. A crise não me
surpreendeu, todavia, exceto por ser tardia. Mas antes tarde do que nunca. Nada
pode substituir a realidade como ela é. |
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