NIVALDO
CORDEIRO: um espectador engajado
MEIA VERDADE SOBRE
IMPOSTOS
29/04/2008
“Diante de uma sociedade
corrupta, tudo que é possível é o boicote – a recusa de envolver-se com ela”.
Eric Voegelin, em HITLER E OS ALEMÃES
A Folha de
São Paulo de hoje noticiou, citando pesquisa do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário, que o “brasileiro
trabalha metade da vida para o Fisco”. Essa é uma meia verdade que esconde
o maior dos escândalos morais da nossa sociedade, amparado nas falsas teses distributivistas do esquerdismo que tomou conta do poder
desde 1985. Se as idéias não são claras, as soluções não aparecem. Meias
verdades são piores que mentiras inteiras. Vejamos o porquê.
Em primeiro
lugar, não existe esse “brasileiro” genérico. Tem-se,
de um lado, os brasileiros pagadores dos impostos e, do outro, os brasileiros
que são beneficiários de impostos. Na prática temos que os
brasileiros podem ser mais ou menos pagadores e beneficiários ao mesmo tempo,
de sorte que temos aqueles que são pagadores “líquidos” (uso o conceito tomado
das Ciências Contábeis) e os que são beneficiários “líquidos”. Líquido aqui é a diferença entre o que
se paga e o que se recebe de impostos a qualquer título.
Os
recebedores líquidos de impostos são óbvios. Banqueiros e rentistas
aplicadores nos títulos da dívida pública são grandes beneficiários. É só ver
quanto do orçamento público está destinado para o pagamento dos juros da
dívida. Eles, os banqueiros, pagam seus impostos usando a parcela que recebem
dos impostos a título de juros. Os funcionários públicos são
outro grande grupo de recebedores líquidos. Os “anistiados” políticos,
essa chaga moral que caçoa de quem trabalha neste país, também. Veja-se o
orçamento que paga funcionários públicos e “anistiados”. Temos os aposentados,
os bolsistas das bolsas-esmola do Lula, os “donos” de ONGs, os sindicatos, os partidos políticos, os
fornecedores do governo, os que se dedicam às atividades de despachantes,
facilitando as vida das pessoas que têm sua vida regulamentada pelo Estado.
Advogados
são como que recebedores de impostos privados, na medida em que se dedicam a
defender seus clientes do monstro Estatal. Nobre e cara atividade. Contadores
da mesma forma. Uma desgraça que o Estado custe tanto. Se somarmos os custos de
advogados, contadores e despachantes à carga tributária
veremos que a carga real do custo do Estado é muito maior.
Os pagadores
são os empreendedores e seus empregados, que pouco ou nada recebem de impostos.
Agricultores, industriais, comerciantes, a classe média assalariada. Não vale
“anistiado” dizer que também pagam impostos, pois pagam sobre aquilo que não
deveriam receber. Aqueles são os brasileiros roubados, vilipendiados, sugados,
os escravos que pagam a festa da comunalha
no poder. A mim me espanta que essa gente não tenha ainda fundado um partido de
direita afirmativo, com base em um programa que comece e acabe exclusivamente
na tese do Estado Mínimo. São os idiotas das praças públicas, os trouxas. Cada lei que a comunalha
aprova beneficiando uma corriola qualquer implicitamente manda a conta para
quem trabalha. Uma injustiça que clama aos céus.
Como toda
injustiça, precisa ser reparada. E não há tribunais para fazer essa reparação.
Será preciso refundar a Nação para que os valores
éticos superiores voltem a prevalecer na relação entre o Estado e os cidadãos,
fazendo com que aqueles que produzem voltem a ser libertados
de seus grilhões tributários, que a vagabundagem bancada com o suor alheio
cesse e os vagabundos venham a fazer o que todos fazem: trabalhar, ao
invés de esperar no fim do mês o seu quinhão de impostos. De novo é preciso
libertar o povo do Faraó.
Não adianta
o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário divulgar esses números se não
qualificá-los, se não mostrar que, por detrás desse brasileiro genérico, tem
uma minoria que moureja de sol a sol para bancar a vida boa de um magote de
vagabundos, todos sócios do Erário. A super carga tributária é a mãe e o pai de toda a corrupção
reinante.