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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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LULA x FHC 07 de novembro 2009 Em discurso ontem, o
presidente Lula respondeu com escárnio ao artigo de FHC, publicado no domingo
passado e comentado várias vezes por mim. Lula está enfatuado, orgulhoso não
apenas de seu governo, mas da sua popularidade. Eu também acho admirável
tamanha popularidade, eu que, cético que sou, não
entendo que a economia esteja essa maravilha toda (não me canso de olhar as
estatísticas de arrecadação de impostos, minguantes a cada mês). Essa
popularidade só está assim por causa da maciça propaganda política, seja
aquela explícita, seja a camuflada nas notícias falseadas dos jornais. Quem
acompanha meu trabalho de Media Watch para o jornal
eletrônico Mídia Sem Máscara
está bem informado do que se passa. A popularidade deriva também do descarado
populismo das bolsas-esmolas que Lula tem distribuído fartamente. Lula
conseguiu fazer real o que ninguém suspeitava possível: mentir para todos, o tempo todo, sobre tudo. Mente desavergonhadamente. Mas,
voltando, Lula frisou que “tinha
convicção absoluta que FHC tinha certeza que nós (do PT) seríamos um fracasso”.
Tenho que concordar com Lula. Quem lê a entrevista concedida por FHC à
revista Dicta&Contradicta
percebe que ele se imaginava o governante por antonomásia. Mas o PT está
ganhando a parada, e por quê? Não é por competência nenhuma e também não por
causa da propaganda eficiente. É pelo momento da economia mundial. O Brasil
está na contramão da crise porque os países ricos nunca emitiram tanta moeda.
Sobram capitais no mundo e o Brasil virou um destino para eles. Esse momento
é único desde o fim da II Guerra Mundial. Lula está tirando proveito. É o
mesmo que pensar que o nascer do sol se dá por obra sua. Ninguém
previu que seria assim. Mesmo com o governo Lula perdendo o controle sobre as
contas públicas é como se nada estivesse acontecendo e o real continua a se
valorizar diante do dólar. Não temos ainda os sinais de descontrole da
inflação e da taxa de câmbio, como seria o caso se estivéssemos em tempos
normais. Até quando essa situação esquisita vai se manter
ninguém sabe, mas não deve ser superada antes do final do seu governo, a
menos que a economia mundial entre em colapso. O fato é
que, se governar tem uma dimensão técnica, não é esta que decide eleições. O
decisivo é a representação existencial: o povo precisa se enxergar no
governante. O fato é que Lula tem essa magia. Sua estúpida cara de torcedor
de futebol parece que espelha nossa gente. O abaixamento do nível mental (e
moral) é um fato tão consolidado no Brasil a ponto de um ator simiesco,
descarado como um animador de torcida de futebol, obter o poder de hipnotizar
as massas. FHC jamais faria algo assim, não é da sua personalidade, é
sofisticado demais para praticar a mentira óbvia e rasteira, como Lula não se
cansa de fazer. O problema é que esse encantamento não durará para sempre. Os
limites são dados pela realidade. A massa, sem um governante que lhe diga “não”,
pede sempre mais e mais. Sua insaciedade é a sua
perdição, assim como a dos governantes que ousam prometer-lhe tudo. E Lula
quer entregar a ela tudo que ela pede, o que é pior
ainda. A dimensão
técnica do ato de governar é encampada pela burocracia profissional do
Estado, ela mesma componente do processo. Nos governos socialistas a
burocracia se multiplica e esparrama seu poder por toda parte. A vida é então
integralmente burocratizada. Há a crença de que é possível aperfeiçoar a
existência mediante a criação de regras legais para tudo. Essa ânsia de perfectibilidade
da burocracia (ou a promessa de) é a sua própria forma de justificação, seja diante
de si mesma, do governante do dia ou de toda a gente. A perfectibilidade é
uma grande mentira, uma impossibilidade. Em governos socialistas essa
tendência se eleva ao infinito, pois a esquerda se move na Segunda Realidade,
aquela do “sonho impossível”, de costas para o real. A própria burocracia se
funde ao partido governante. A ditadura da burocracia se instala sobre a vida
prática. A lógica da perfectibilidade pelo processo legislativo vai ao seu
limite. Lula, em
seu discurso breve, mostrou toda a parvoíce de que está possuído. É o homem
massa no poder, satisfeito consigo mesmo, pleno de sua própria mediocridade,
que supõe portadora da fórmula vitoriosa. No caso dele a coisa é mais grave
porque, enquanto faz a comunicação política eficiente,
hipnotizando a multidão, seus partidários atuam fundo na revolução em curso,
aparelhando o Estado e regulando toda a vida econômica e social. O objetivo
final é perpetuar-se no poder, constatação que levou FHC a escrever o seu
artigo. Não há
como sair dessa armadilha política. Quanto mais populismo com o homem massa,
mais sucesso o governante do homem massa parece obter. Rigorosamente, FHC
sequer pode ser considerado um líder de oposição, pois concorda em tudo e por
tudo com Lula, exceto pelo fato de Lula ocupar o lugar em que gostaria de
estar. Não há oposição política no Brasil. Todas as forças levam ao rumo do
socialismo, da estatização, da burocratização de tudo. Se nada for feito para
obstar o processo, sequer sobrará a aparência de alternância de poder, com a
perpetuação da corriola do PT no poder. O artigo
de FHC é essa demonstração de fraqueza política: o Brasil caminha
inexoravelmente no rumo do Estado Total. O totalitarismo já grassa entre nós,
prenhe de violência ao primeiro sinal de crise. |
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