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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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LULA
E A BANDA LARGA 07 de fevereiro de 2010 Convido
você, meu caro leitor, a ver o discurso no link anexo,
no qual Lula dá uma espécie de resposta indireta à carta do presidente da Telebrasil, Antonio Carlos Valente, comentada por mim no artigo anterior.
O discurso é um peça interessante pela retórica e
pelo conteúdo. Aqui está contida a grande promessa e a grande mentira que
precisa ser denunciada e combatida. Aqui está registrada a ameaça direta do
poder constituído a todo o segmento empresarial. E não são palavras vãs. Primeiro,
não é papel do Estado garantir que todos tenham acesso à banda larga,
porque há de ter quem até mesmo não queira, ainda que seja de graça. Em
muitas situações, direitos supostos acabam por se tornar como que compulsoriedades. Essa é a maldição da metástase dos mal afamados
direitos humanos, a maldição moderna que acaba por destruir os fundamentos de
uma sociedade sã. Lula afirmou que o governo assumiu o compromisso de levar a
banda larga a todos os rincões. Ora, isso só se faz com subsídios e ações antieconômicas,
sem qualquer racionalidade que não a lógica distributivista, portanto
incompatível com a atividade empresarial privada. Segundo,
Lula enganosamente afirmou que o governo não quer estatizar, mas apenas
suprir uma suposta falha de mercado. Lula disse que as empresas privadas
teriam a obrigação de levar infra-estrutura sem considerar as racionalidades
econômicas mínimas. Ora, as empresas não têm obrigação de vender para quem
não é demanda, não tem renda, capacidade de pagar pelos serviços. Para isso,
o governo dispõe dos recursos dos Fundo de Universalização
de Telecomunicações – FUST, que desde a sua origem estão sendo desviados de
suas finalidades. Que
retórica porca! Lula apelou para o jogo de palavras e para o sentimentalismo
barato, em nome dos pobres, como sempre faz. Esse raciocínio é de extremo
perigo. Com base nele todas as ações espúrias de governo, intervindo no
processo econômico por todos os meios, estão previamente justificadas. Lula
reclamou que os serviços são caros, sem citar que o maior componente isolado
de custo são os impostos. O governo rouba os produtores e rouba os consumidores
e posa de bom mocinho, assim impedindo a universalização dos serviços. As
empresas de Telecom não são responsáveis pela existência de pobres. Por cima
de tudo está a maldição da busca utópica da igualdade, a ser alcançada a
qualquer custo. Lula satanizou as empresas,
responsabilizando-as por não vender serviços a quem não pode pagar, quando
ele mesmo chefia o Estado que tributa com destinação expressa para suprir a
carência, sem, no entanto, cumprir seus compromissos com as populações mais
pobres. Lula mente quando diz defender os pobres. Ouvir
esse discurso me convenceu ainda mais que a Telebrasil
errou estrategicamente ao apoiar a Confecom, vindo
a fazer parte daquele circo leninista grotesco. Teria mesmo que ter recusado
e denunciado o embuste. Daqui para frente a linha
revolucionária do PT vai prevalecer na condução do governo Lula e nada o fará
recuar. Lula, no discurso citado acima, reafirmou isso com todas as letras. Caro
leitor, dá para imaginar o que virá se Dilma for eleita e trouxer com elas
todos os mensaleiros cassados, a começar pelo maior
deles. Estamos no rumo da Venezuela. De novo, veremos governantes laçando
bois no pasto. |
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