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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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LIÇÃO
DE PUXA-SAQUISMO 26/11/2011 A coluna do
jornalista Fernando Rodrigues, na Folha de São Paulo de hoje, é um exemplo de
como se planta notícias e se constrói, em doses homeopáticas, a imagem do
governante do dia. Pinço aqui duas informações que foram ali colocadas,
absolutamente incompatíveis com a realidade dos fatos: “A
presidente Dilma Rousseff já ganhou a batalha da
imagem. Mandou embora seis ministros e ficou com a fama de não transigir com
o erro. Pouco importa se no miolo de alguns ministérios a bandalha
continue ou se alguns outros ministros também já devessem estar no olho da
rua. Para efeito externo, a petista é durona e está fazendo uma faxina na
política”. “Nos seus três próximos
anos, é possível que Dilma avance sobre outras áreas e de maneira mais real.
Uma delas é a notória ineficiência do setor público”. O artifício retórico é introduzir uma
mentira como se fosse um fato consumado (Dilma Roussef
como “faxineira”), fato incompatível com o noticiário que dá destaque à vida
e à ação administrativa pouco proba de dois ministros, Carlos Lupi e Mário Negromonte, sobre
os quais a presidente não exerce qualquer autoridade moralizadora. E também
incompatível com todos os ministros do PT caídos em desgraça, desde o “mensalão”. Aliás, este deveria ser o mote de um artigo
decente, a incompatibilidade entre o discurso ético e a ação deletéria da presidente
acobertando os malfeitos de seus auxiliares ilustres. Assim, Fernando Rodrigues se comporta
como se fosse uma pena de aluguel, mesmo que não tenha a intenção deliberada
de fazê-lo. Está ajudando a criar a
imagem mitológica da “faxineira” comprometida com a ética. Quanto à competência, esse campo nunca
foi o forte do PT e da antiga ministra da Casa Civil, ora presidente. Lula
assumiu que era despreparado do ponto de vista técnico e levou a vida
presidencial em cima de palanque, fazendo populismo barato. Dilma sempre que
ficou sozinha aos microfones falou besteira, revelando despreparo equivalente.
Sua fama de administradora deriva unicamente da sua veia autoritária, que
tratava funcionários e negociantes com o governo a pontapés. Isso não é e
nunca foi competência, apenas despreparo, falta de liderança. Fernando Rodrigues é dos melhores
jornalistas em atividade. Dá para imaginar o que são os piores. E os
alugados. |
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