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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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JOSÉ
SERRA, O ANTIQUADO 12/01/2012 O artigo de
hoje de José Serra (A nova vanguarda do atraso), publicado no Estadão,
revela porque ele perdeu as eleições e porque seu
partido deixou de ser uma alternativa política e eleitoral para os
brasileiros. José Serra continua escravo das velhas e ultrapassadas idéias cepalinas e quer com elas construir um discurso
oposicionista, supostamente técnico, contra o que chama de lulopetismo. Serra quer ser a esquerda da esquerda,
enquanto que a esquerda o enxerga como a direita da esquerda, por força das
administrações do seu partido. Desde logo
digo que o único discurso capaz de tirar o PT do poder é o conservador, na
linha do Partido Popular da Espanha ou do Partido Republicano dos EUA. É o
tempo de caminhar para a direita. Sobretudo no Brasil, onde o campo
esquerdista está completamente congestionado. Até o Guilherme Afif Domingos entrou na canoa que apóia o PT. A bandeira
conservadora está sem dono e sem mestre. E ela aponta para o futuro. No artigo,
José Serra insiste no discurso técnico-econômico, quando o que se sobressai
diante do eleitorado órfão é o discurso na esfera dos valores. É a bandeira
dos costumes que pesa, o combate à tese do aborto, a defesa franca dos
valores cristãos, uma consistente defesa da minarquia,
o cultivo da sociedade aberta e livre das amarras estatais. Mas tudo isso
soaria falso em José Serra. No artigo, até que ele ensaiou ir contra a carga
tributária exorbitante paga pela indústria, a seu ver "elevada e distorcida". Com que
autoridade um socialista fala contra a carga tributária elevada? Se o PSDB a
elevou brutalmente? Se o próprio José Serra é um crente na função
distribuidora de renda do Estado? Essas
palavras soam falsas e oportunistas. Seria diferente se o próprio José Serra
viesse a público fazer um profissão de fé na economia liberal. No fundo, o
artigo não propõe uma redução geral na carga tributária, mas um alívio na
indústria, automaticamente elevando-se em outro setores. Isso é aumentar as
distorções. O que encantaria o eleitorado é a redução geral na carga
tributária, não esse artificialismo que propõe. José Serra
tem o apego cepalino à indústria de transformação,
herdada do Partido Comunista Brasileiro. Ora, depois da revolução da informática
e das telecomunicações esse discurso, já velho nos anos 50, hoje padece de
decrepitude. Uma velharia digna de um museu de paleontologia. Se tem algum
apelo emocional para os integrantes da sua geração, para as novas ele não faz
sentido algum. Estamos na era dos serviços, que veio para ficar. Vimos o que
houve nas últimas décadas: os países desenvolvidos enviaram suas indústrias
para a China e mesmo o Brasil fez isso, está fazendo isso. O que agrega valor
são os serviços. Ademais, com a carga tributária e a legislação trabalhista
estúpida que por aqui temos, mais e mais indústrias serão reinstaladas na
China. A pobreza
teórica do Serra é consoante sua proposição política indigente. Basta ler o
seguinte trecho: "Ao se desindustrializar, o País está perdendo a sua
maior conquista econômica do século 20. Estamos a regredir bravamente à
economia primário-exportadora do século 19; a médio e a longo prazos, esse
modelo é vulnerável no seu dinamismo, por ser muito dependente do centro
(hoje asiático) da economia mundial. Os países com desenvolvimento brilhante
têm sido puxados pela indústria, setor que é o lugar geométrico do progresso
tecnológico e da geração dos melhores empregos em relação à média da economia". Uma ova: o Brasil perderia se os
serviços estivessem estagnados, mas não estão. Esse é um dos fatores
legitimadores do PT, que não se colocou no caminho da corrente principal do
processo econômico. Por não atrapalhar, ele se legitima. José Serra, com suas idéias antiquadas, se chegar ao poder pode
inaugurar um período obscurantista de intervenção estatal. E quer justificar
essa indigência como se portasse uma teoria superior. O que ele tem, na
verdade, é velharia que já nasceu velha, extemporânea quando Celso Furtado a
trouxe ao mundo. Mais extemporânea ainda nos dias de hoje. José Serra não
serve nem para posar de esquerdista. |
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