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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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JOSÉ SERRA NA FRENTE 17 de abril de
2010 Depois do
papelão da falsa pesquisa do Instituto Sensus, que
inventou números dando um empate inverossímil entre Dilma e Serra, saberá
Deus a mando de quem, o Datafolha
publicou hoje uma pesquisa de opinião pública confiável, coerente com as
anteriores, dando ampla vantagem de dez pontos percentuais ao candidato do
PSDB. Algumas lições precisam ser tiradas desses novos números. Em primeiro
lugar, vemos que a candidatura Ciro Gomes deixou de ser relevante. Seu
próprio partido o está rifando, de modo que não pode mais ser levado em
conta. O surpreendente é que parte considerável dos seus votos migraria para
José Serra, contrariando as expectativas dos estrategistas do Palácio do Planalto,
caso sua candidatura seja abandonada. Se Ciro tirasse votos de Serra o
próprio PT patrocinaria a manutenção da candidatura. Entendo que Ciro só
poderia crescer à custa de Dilma, disputando em seus currais eleitorais,
sobretudo no nordeste e na periferia das grandes cidades. Mesmo a retirada da
candidatura prejudica mais a Dilma, de modo que um desfecho ainda no primeiro
turno, favorável a José Serra, não está descartado. Ciro candidato pode ser a
garantia de um segundo turno. Em segundo
lugar, parece consolidada a posição do candidato paulista junto aos
formadores de opinião, à classe média e aos empresários. Não que Serra tenha
renegado sua fé socialista, mas está longe de ser um incendiário, como parece
ser a propensão dos últimos meses do governo Lula e a promessa de campanha da
Dilma. A sobriedade de seu discurso e o reconhecido bom governo que fez em
São Paulo pesam a seu favor. Esse público qualificado dificilmente se
comoverá com as lamúrias sentimentais que Lula usou em suas primeiras
campanhas. Ele está cada vez mais inconformado com a elevada carga tributária
e o irracionalismo das políticas públicas do PT, especialmente àquelas
ligadas ao MST e à política externa. Os lumpens já
estão com o PT e não decidem as eleições. Lembrando que Serra mal começou a
campanha, significando que tem margem para crescer. Dilma parece
confinada ao gueto tradicional do PT, englobando parte do funcionalismo
público, os sindicatos radicalizados, os revolucionários de carteirinha e a
massa amorfa dos lupens, comprados com
bolsa-família. Para piorar, seu discurso de campanha tem focado essa gente,
evidentemente incapaz de alargar a base eleitoral. Dilma não fala à classe
média que não depende do governo. A posição
sólida de José Serra se fortalece pela força da candidatura favoritíssima de
Alckmin/Afif ao governo do Estado de São Paulo e a
bênção de Aécio Neves em Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais.
Se o PT não tiver alguma carta na manga para mudar
as coisas nesses dois colégios eleitorais maiores dificilmente poderá ganhar
as eleições. O projeto eleitoral do PT parece esgotado. A candidatura
de Marina Silva também parece ter se aproximado do teto. Concorre diretamente
com as teses tradicionais do PT e pode servir unicamente para viabilizar o
segundo turno. Mesmo assim, conforme o andar da campanha eleitoral, na reta
final a tese do volto útil pró PT pode esvaziar sua
candidatura. Ela poderá murchar de forma inexorável. Se as eleições
fossem hoje José Serra ganharia facilmente. |
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