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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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JOSÉ SERRA ESTÁ ERRANDO 30 de junho de
2010 No artigo
anterior (PSDB:
arrogância e burrice) pude comentar o tremendo erro estratégico de José
Serra, ao tentar rifar o antigo aliado (DEM) de forma a mais desrespeitosa. Estava
na cara que os caciques daquele partido não iriam engolir a rapadura. Não deu
outra: José Serra teve que voltar atrás, de forma expedita e desmoralizante.
Não houve jeito. As seqüelas,
todavia, continuarão. A quebra da relação de confiança foi instantânea. José
Serra sempre teve viés autoritário e acha que pode tratar os parceiros como
se subalternos fossem. Nesse mundo da política, da gente de poder, isso não
funciona. Como fazer um Ronaldo Caiado calar? Um Jorge Bornhausen engolir
desaforo? Um César Maia recuar? Como diriam os humoristas: “Nem a pau,
Juvenal”. Nem a pau, José Serra. Muitos votos
foram perdidos, os impactos de opinião pública foram imediatos e a traição,
que já corria solta, agora vai se agigantar. O tempo até o dia do pleito é curto
e não creio que seja suficiente para curar as feridas. A arrogância serrista pode lhe custar as
pretensões. Nunca me esqueço do tratamento que ele dispensou a Geraldo
Alckmin e seus aliados covistas quando se elegeu em São Paulo. José Serra não
se emenda. Bem disse
Fernando Henrique Cardoso à revista Piauí, meses atrás, quando lhe
entrevistaram sobre José Serra, que este não era um estrategista, mas um
simples quadro operacional. Ficou provado que José Serra não consegue pensar grande,
em campanha se comporta como se já estivesse eleito. Pior: não consegue ter a
visão do rei, a visão de conjunto, algo que sempre sobrou a FHC. A sucessão de
erros que têm acontecido mostra os traços de personalidade do candidato. Não
votarei nele, não votaria de jeito algum, mas como analista não posso deixar
de olhar o que se passa. Antes desse episódio as coisas estavam difíceis; depois
dele é quase impossível José Serra se eleger. Não me canso
de comparar o comportamento do PT com o do PSDB relativamente aos aliados.
Dilma tem dado tratamento especial à ala do PMDB que lhe tem apoiado, tem
sido respeitosa, tem cumprido a palavra. Exatamente o oposto do que José
Serra tem feito. Parece mesmo que os petistas é que são os verdadeiros
profissionais da política. Ninguém se
elege presidente da República sem ter debaixo de si um amplo arco de
alianças. José Serra parece querer se eleger no grito, sozinho, dando ordens
a homens ricos e poderosos que não aceitam esse tipo de tratamento. Quebrou a cara na primeira oportunidade. O Brasil é muito
maior do que o Estado de São Paulo. Quem é Índio
da Costa, o vice enfiado na goela do José Serra?
Nunca ouvi falar dele nem sei onde fica sua taba. O nome é um tanto ridículo,
cai muito bem numa chapa liderada pelo Serra. Os trocadilhos ridicularizantes serão inevitáveis. Eu até preferia que
fosse um Índio do Sertão, mas seria pedir muito. Os pedantes do PSDB vivem de
costas para o Brasil, de olhos em Paris. Assim terão que ir pedir votos em
outra freguesia. Se as eleições
fossem hoje Dilma Rousseff estaria eleita. |
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