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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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JOSÉ SERRA COM DATENA 27 de abril de
2010 Ontem consegui
acompanhar quase toda a extraordinária participação de José Serra no programa
de José Luiz Datena. Seu programa é marcadamente
populista e policialesco, influindo nas camadas intelectualmente (e
economicamente) inferiores da população. O programa ficou sem intervalos comerciais
por quase uma hora, algo realmente intrigante para o horário mais caro da TV.
Obviamente que o programa tornou-se um palanque. Mais um
testemunho de que os meios de comunicação de massa, em reação à Confecom, estão mesmo contra o PT e decidiram somar
esforços para tirá-lo do Palácio do Planalto. Mesmo a Rede
Bandeirantes, que participou do evento quixotesco, dando-lhe endosso, está
fazendo a sua parte contra o partido governante e sua candidata. Essa é, a
meu ver, a principal razão pela qual a Dilma Rousseff
não tem crescido nas pesquisas. Ao contrário do que se pensa,
seu problema com a comunicação política não é técnico: simplesmente o retrato
que emerge do candidato da oposição dos meios de comunicação é positivo e
abundante, em contraste com o dela próprio. O que se fala dela é quase sempre
caricatural. A elite parece
ter cansado do PT e perdeu o respeito para com os revolucionários, talvez até
mesmo por medo. Se nada for feito o PT marchará para o poder total. Mas será
que o leão das trevas teve as presas aparadas? Questão em aberto. Se
eventualmente Dilma vier a ser a eleita o contra-ataque será certo. Se o PT
já desejava “democratizar” os meios de comunicação, agora mais ainda. Mas ontem
pudemos ver o que separa essencialmente Dilma de José Serra. O abismo maior
entre os dois está na política de relações exteriores. José Serra afirmou que
com o Irã teria relação de soberania, mas nada de dar apoio pessoal ao
ditador de lá. Da mesma forma, nenhum apoio especial teria para com Hugo
Chávez. Serra faria retornar a nossa diplomacia ao seu leito. Com a China,
prometeu linha dura para com o dumping descarado que ela pratica com todo o
mundo, contra o Brasil inclusive. No mais, seu
programa de governo pouco difere do PT. Nenhum aceno à redução de impostos, à
diminuição do Estado mastodôntico. É bem verdade que voltaria a política de
FHC de fortalecimento das agências reguladoras, mas essa é uma política
perfeitamente acessória, nenhuma diferença fazendo para os pagadores de
impostos altos. E certamente a perseguição aos fumantes continuaria. Serra prometeu
criar um ministério da Segurança Pública. Isso me preocupa. Seria mais um
golpe na nossa empobrecida federação, em desfavor dos Estados federados.
Acenou inclusive com uma possível recriação da Guarda Nacional. Não gosto
dessa proposta. É um passo em direção ao Estado unitário, mesmo o Estado
totalitário. O fato é que,
somando e diminuindo tudo, há um elemento de racionalidade maior em José
Serra do que em Dilma Rousseff. |
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