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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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JABOR
E O NOVO JORNALISMO 09 de novembro de 2009 O último
artigo de Arnaldo
Jabor (“Blogs, twitter, orkut e
outros buracos”) me deu o que pensar. Eu sempre soube que ele é um
dinossauro no que se refere às idéias niilistas que defende. Um homem de
Neandertal, uma espécie em extinção. Todavia, sempre o tive como um grande
profissional do jornalismo que, apesar de ter-se posto a serviço da revolução
gramsciana (ou talvez por isso), ocupou um lugar de destaque nos nossos meios
de comunicação. Nesse artigo Jabor fez uma terrível confissão: “Não estou no Twitter, não sei o que é
Twitter, jamais entrarei nesse terreno baldio”. Completa dizendo que
alguém se faz passar por ele na rede de microblog. A net é como o poder: não
suporta o vazio. Vê-se que
Arnaldo Jabor é a faceta personalizada da crise que a imprensa tradicional
está sofrendo em todo o mundo, e no Brasil também. As tiragens dos jornais
caem, a audiência das TVs abertas despenca e as antigas redes dão lugar a
novas, como tem sido o fenômeno da Foxnews nos EUA e do surpreendente e
original Glenn Beck. Jabor é o jornalista dinossauro, que está morrendo com o
velho modo de fazer jornalismo, nos velhíssimos veículos sob o cabresto dos
partidos de esquerda. Sinal dos tempos. Minha tese é
que a Internet permitiu um contra-atraque fulminante das forças conservadoras
contra o monopólio da informação por parte de gente como Arnaldo Jabor. Ele
se queixou que alguém tomou sua marca e a está usando. Ora, alguém só fez
porque o dinossauro recusou-se os novos tempos. Não há lugar para jornalismo
de opinião que não esteja, direta ou indiretamente, vinculado à Internet,
Twitter incluso. Eu leio as manchetes dos jornais via Twitter e todos os
analistas de opinião de que gosto de ler estão lá também. Como se vê, Jabor
perdeu o bonde da história e está a caminho de uma aposentadoria precoce. Suas
tiradas na Rede Globo têm data marcada para virar sucata jornalística. Na
mídia impressa também. Jabor reclama
dos textos apócrifos da net. Ora, eles só prosperam porque ele se recusa a
ter textos em blogs oficiais. Como qualquer pessoa “in” do meio jornalístico
tem blog, o fato de ele não ter (e não avisar que não tem) dá espaço para os
imitadores. Ele deveria saber que Obama elegeu-se, entre outras coisas,
porque usou o Twitter muito bem. O mundo novo da comunicação é instantâneo,
eletrônico, afirmativo. Nada que combine com a canastrice Global de Arnaldo
Jabor e suas tiradas de mau gosto. O novo
jornalismo é assim: conteúdo, opinião clara, engajamento com o leitor,
rapidez, imagem, som, link permanente na Internet. Isso é que vale muito
dinheiro, seja porque o acesso pode ser cobrado, seja porque anunciantes
estão dispostos a pagar pelas visitas dos internautas. No Brasil, as últimas
estatísticas dos investimentos em publicidade dão conta de que a verba destinada
aos meios da Internet é do mesmo tamanho daquela destinada ao rádio. Com a
diferença de que tem crescido velozmente (22% em 2009, comparado a 2008),
enquanto seus concorrentes ou estacionaram ou minguaram. É lá que está o pote
de ouro. É lá o futuro das comunicações. A maravilha
da Internet é que ela quebrou barreiras geográficas e de tempo. Gente como
Jabor tinha o monopólio das fontes de notícias e vivia desse monopólio,
regiamente pago. Isso acabou. Internet é a liberdade que faltava nas
comunicações. Ela rima com livre mercado, com capitalismo, com a sociedade
aberta. Os dias de articulistas de opinião antiquados como Jabor estão
contados, a menos que entrem correndo no Twitter. Espero que Jabor não o
faça, será um canastrão a menos a tentar passar para a net o formato
sucateado dos jornalões. Jabor não fará falta aos novos tempos. |
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