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INVESTIMENTOS A PEDIDO
21/03/2012
Faz sentido o governante pedir aos empresários que acelerem seus
investimentos? Não, mas é isso que a nossa neófita
presidente Dilma Rousseff pretende fazer na reunião com 27 dos maiores
empresários brasileiros, chamada para amanhã. Investimento é a decisão mais
pessoal e refletida que empresários podem fazer, pois eles definem o futuro
das empresas. Nem acelerar e nem desacelerar: investimentos só são feitos na
hora certa, atendendo ao sofisticado processo de planejamento empresarial, a
partir de minuciosa análise da conjuntura e das tendências econômicas e
políticas.
No limite, é o
mercado que define onde, quando e como investir. E o quanto.
O ambiente
empresarial brasileiro está muito conturbado. Nas últimas décadas,
especialmente depois que Lula e o PT assumiram a Presidência da República, o
modelo econômico brasileiro pode ser definido como socialista, com forte viés
corporativista. O sistema está projetado para as grandes corporações e tem
esmagado de forma inclemente as pequenas e médias empresas. O caráter
socialista é dado pela face dupla da supertributação e do distributivismo
de renda, que tem como nefasta consequência reduzir a taxa de poupança,
fragilizando a economia.
Por outro lado, a valorização do câmbio praticamente inviabilizou
exportar fora do foco dos minérios e matérias primas, mercados onde as
vantagens competitivas brasileiras são óbvias. O câmbio valorizado abriu as
comportas das importações.
Pedir para
empresários engajados na indústria de transformação, a principal prejudicada
com o processo, que acelere os investimentos é piada de mau gosto. Fato é que
todas as incertezas cercam os empresários e não há força humana capaz de
fazer acelerar os investimentos nessa circunstância.
Provavelmente na
cabeça da presidente Dilma Rousseff está presente a famosa sentença de Michal Kalecki, de que
empresários não investem como classe, pois os investimentos são determinantes
no processo de concorrência e são portanto segredos empresariais. Talvez ela
queira reverter a escrita, já que o corporativismo empresarial tomou corpo
nas últimas décadas, de maneira a tornar as empresas clientes do Estado para
tudo, em quase departamentos estatais.
Eu não creio que
isso, todavia, mude o caráter praticamente secreto da tomada de decisão de
investir. Mesmo com o corporativismo reinante o ato de investimento é ainda
uma decisão solitária, que define os destinos empresariais. Ninguém fará nada
a pedido, nenhum investimento. Dilma Rousseff não tem o poder de mando neste
quesito. Ela declarou: "As
empresas precisam aprender a fazer melhor e mais barato, para que o Brasil
tenha competitividade", como se algo tivesse a ensinar a empresários
de sucesso. É uma declaração risível, pois o governo chefiado por ela, a cada
dia, encarece mais e mais o processo produtivo e eleva o risco jurídico das
atividades empresariais, no limite de inviabilizar setores inteiros. A
presidente não tem como receber do empresariado resposta afirmativa9 para seu
apelo.
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