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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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IGUALDADE PERANTE A LEI 12/02/2011 Quando
enviei ao público meu vídeo sobre a fala de Luiz Fux,
recém empossado ministro do Supremo Tribunal Federal (Luiz Fux
rasga a Constituição) recebi uma chuva de e-mails, alguns irados, por eu
ter supostamente mal compreendido o magistrado. Lembro aqui que no vídeo fiquei
indignado com a apologia que o indigitado ministro fez ao julgamento usando
da desigualdade como justificativa par igualar os desiguais, algo bastante
fora de propósito para aquele designado para proteger a Constituição Federal,
fazendo-a cumprir. E naquele ordenamento jurídico reina impávido o princípio
da igualdade de todos diante da lei. Penso que
o ministro se filia às novas correntes do direito que incorporaram
ensinamentos de Rawls e Bobbio,
que querem fazer pela Justiça a correção dos supostos males sociais, as
desigualdades que vêm do berço. A igualdade diante da lei, para esses
pensadores, precisa ser transformada em igualdade de fato obrigada pela lei. É esse o vício
jurídico dos nossos tempos, que se esqueceram que a
igualdade jurídica é a maior conquista da civilização e não guarda qualquer
relação com a igualdade de fato, o delírio jacobino de Rousseau que os
marxistas e seus acólitos alimentam diuturnamente. Igualdade de fato é
injustiça flagrante. A pior
argumentação que obtive foi invocarem as imortais palavras de Rui Barbosa em
favor de sua tese, na famosa Oração
aos Moços, discurso lido por ocasião da colação de grau da turma de
Direito graduada na Faculdade São Francisco, em São Paulo, em 1921. Rui jamais
endossaria a tolice de Luis Fux e nem dos que
buscam o chamado “direito alternativo”. Selecionei o trecho citado para comentá-lo
aqui. “A regra da igualdade não consiste senão em
quinhoar desiguamente aos
desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social,
proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da
igualdade”. Para Rui todos são iguais diante da lei e as desigualdades se
manifestam por “natureza”, ressonância do grande Aristóteles. Respeitar as
desigualdades naturais é, para Rui, a prática da verdadeira justiça. Ele
continuou na sua retórica irretocável: “O mais são desvarios da inveja, do orgulho,
ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com
igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites
humanos conceberam inverter a norma universal da criação,
pretendendo, não dar a cada um, na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a
todos, como se todos se equivalessem”. Rui
reforçou aqui o que pregou no parágrafo anterior. A desigualdade é inata e
não cabe à lei querer corrigir a natureza. Veja-se que ele atribui às caras
teses comunistas e socialistas, tão em voga agora, os fruto do “desvarios da inveja, do orgulho, ou da
loucura”. Portanto, Rui Barbosa, ao contrários dos ignaros que me escreveram,
é pela justiça natural aristotélica e contrário a qualquer igualitarismo que
não aquele que ainda reza na nossa Constituição, qual seja, todos são iguais
diante da lei. Não
satisfeito, Rui Barbosa completou: “Esta
blasfêmia contra a razão e a fé, contra a civilização e a humanidade, é a
filosofia da miséria, proclamada em nome dos direitos do trabalho; e,
executada, não faria senão inaugurar, em vez da supremacia do trabalho, a
organização da miséria. Mas, se a sociedade não pode igualar os que a
natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode
reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança.
Tal a missão do trabalho”. Traduzindo em miúdos, Rui Barbosa prega a simples e franca
igualdade de oportunidades e que cada um faça prevalecer seus talentos e sua
vocação. Essa é a ética cristã, essa é a tese do liberalismo clássico, tão cara
ao nosso grande jurista. Recomendo
a meus críticos aprenderem a fazer a correta exegese do nosso maior jurista.
Talvez assim larguem do vício do comunismo e do socialismo. |
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