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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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HOMENS-FORMIGA O meio urbano de nossas cidades
mostra uma desoladora angustia de espaços. Um instinto de formiga move o povo
e como tal carregam coisas. É no metrô que esse instinto de formiga mais se
revela: todos com mochilas às costas. E antenas implantadas pelos celulares
comunicam. Enormes edifícios para apartamentos minúsculos. Angústia
desoladora de espaços. Inferno claustrofóbico. Homens formigas escalam alto.
Ruas de carros não cabem gente; ruas de gente não têm carros. Multidões
caminham sem rumo sob o peso do seu destino. Pombal projetado para homens, os
edifícios modernos. Horrenda arquitetura do fim dos tempos. Pobreza de espaço
e de beleza. Prisão! Arquitetura do fim dos tempos nessa angústia de espaços,
devoradora de dignidade, de felicidade, de bem viver. Prisão! Espaço
minúsculo para numerosos ocupantes. Vida projetada no nada espacial, exíguo
m2 para muitos. Dormir por turnos e comer também. Até cemitérios aéreos na
forma de pombal fizeram. Consistência aeroespacial. Corpos que se elevam para
espíritos de gravidade prisioneiros. Cadáveres que se elevam para espíritos
que não podem subir. Prisioneiros dos pombais. Espírito de gravidade que não
sai do pó da terra. Homens-massa. Multidões sem rumos. Zumbis habitantes de
pombais. Angústia desoladora de espaços. Anel de ferro dos presos à terra. Prisão! Prisão vitalícia na angústia desoladora
de espaço. Do berço ao túmulo. Claustrofobia indolor. Arquitetura de
perdição. Almas mortas. Na arquitetura de pombal não cabe a
liberdade. Não cabe amor. Talvez sexo. Não cabe família, nem filhos. Homens
sós. Formigas atomizadas. Horror! |
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