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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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HISTÓRIA
DA CONFECOM 21 de novembro de 2009 As origens da
CONFECOM não se esgotam no Fórum Social Mundial de 2009, conforme está sugerido
no meu artigo
anterior. Seu marco mais remoto está no Foro Nacional pela Democratização
das Comunicações, de 2001, cujo documento fundamental pode ser encontrado no
link Para
entender a CONFECOM. No site do FNDC
o leitor achará farta documentação histórica sobre suas atividades. Devo a um
dileto amigo, nascido e residente em Santa Maria, no Rio Grande do Sul,
esclarecimentos essenciais sobre esse esforço inaugural para a sovietização
do setor, agora em sua fase final. Ele também me esclareceu que o primeiro
presidente da FNDC foi Daniel Hertz, primo do ministro Tarso Hertz Genro e do
professor de jornalismo Adelmo Genro Filho. Como se vê, a
história tem raízes profundas e está no DNA do governo do PT e de seus
principais quadros. O grupo já tinha atuado de forma orgânica por ocasião da
Constituinte, mas viu-se derrotado pela correlação de forças. Agora voltaram
com tudo, aproveitando que estão com a Presidência da República. Entendo que
devemos levar muito a sério as “propostas” do FNDC para a CONFECOM, razão
pela qual eu as pus como documento relevante no link acima. É provável que
essas propostas contenham toda a política do PT e aliados para o setor e será a vontade política a
prevalecer na Conferência. Quem conhece como se movem as forças de esquerda
sovietizadas sabe que jamais chegam a um evento desses sem ter tudo
costurado, pronto para homologação. Uma olhada
nessas “propostas” revela o que querem: estatizar tudo, perseguir o que
sobrar de empresas privadas, controlar os conteúdos, passar por cima do
Congresso Nacional, criando instâncias regulatórias sem ouvir o Legislativo,
a implantação da lógica sindical às relações de trabalho, a imposição de
diploma de jornalismo como mecanismo de controle das pessoas no exercício da
atividade de comunicação, o basismo em tudo, consolidando a lógica de
sovietização do poder. Parte dessa
vontade política depende de leis a serem votadas no Congresso Nacional, porém
parte importante depende de simples decretos ou portarias ministeriais,
podendo entrar em vigor imediatamente. Aqui se revela o perigo maior do que
vai emergir da CONFECOM, com Lula em final de mandato: uma ruptura dos marcos
legais, levando o país a marchar mais célere no rumo da sovietização. Os
empresários brasileiros irão descobrir que o trabalho de lobby para agir na
esfera de poder de nada valerá, pois o centro de poder será deslocado dos
poderes constituídos para essas células sovietizadas, pulverizando as
instâncias decisórias que só são reunidas novamente no âmbito do comitê
central do partido governante. Nem se sabe ao certo quem compõe esse núcleo
de poder. O Brasil entrará o Ano Novo sob a ameaça de acordar no admirável
mundo novo dos leninistas. A Argentina acabou de passar uma legislação
semelhante ao que propõe o FNDC. A lógica é
implantar no setor o modelo que já está consolidado no SUS: o basismo
rigidamente controlado pelos chamados “movimentos populares”. Estamos diante
da figura do Legislador descrita por Rousseau, ansioso para aperfeiçoar a
natureza humana pelo processo legislativo e para instaurar a Igualdade, assim
como extirpar do mundo a corrupção. O supremo delírio do genebrino virando
realidade sob o Cruzeiro do Sul. E a
liberdade? Ora, para essa gente essa é a liberdade, vez que subordinam toda a
lógica ao igualitarismo comunista. Certo, é o grande sofisma, quem estuda
filosofia a sério sabe disso. Mas quem estuda filosofia a sério? Toda nossa
academia está infiltrada de discípulos de
Rousseau. Sua produção intelectual parte sempre do suposto de que a
meta é alcançar o igualitarismo. Puro paralogismo, que leva necessariamente a
conclusões errôneas. Alguém poderá
dizer que tudo pode acabar em samba. Não desta vez, penso eu. Nunca vi as
esquerdas tão fortes, tão desenvoltas. Pesquisar o assunto me levou a
concluir que seus dirigentes não estão dando a mínima para a discrição. Dizem
o que querem fazer, provêem os meios e partem para obter os resultados,
dando-lhes ampla publicidade. A CONFECOM é a expressão dessa certeza de
espírito de que estão possuídos. Sabem que não há nenhuma força de oposição
digna do nome. Sabem que o Império americano, que derrotou o comunismo
stalinista clássico sob Reagan, está se derretendo e está administrado por um
dos seus parceiros, Obama nas alturas. Como sempre, a única oposição de fato
que existe é a própria realidade, que nega aos revolucionários dobrar-se aos
seus talantes. Aí virá a fase final, na qual esta senhora sofrerá cirurgias
plásticas, para ficar mais bonitinha. Será deformada pelo Legislador
cirurgião. Lembremos das execuções em massa que aconteceram por onde os sovietes
foram implantados. Os ossos estão ainda em suas tumbas coletivas, um
testemunho mudo, verdadeiros Gritos do Silêncio. Mas pode
acabar em samba, sim, por que não? Liberdade é um amor a ser conquistado,
como a namorada ou o namorado. Aí eu canto como o nosso Martinho da Vila, em
samba célebre: Segure tudo que for
conquistado Assegure um amor sem
despedida |
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