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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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HERANÇA
MALDITA DO PARTIDÃO 12/12/2011 Ontem eu olhava os canais de TV e parei vendo
a GloboNews, programa Painel. A trinca de "especialistas"
(Paulo Francini, Silmão Silber e Juan Jensen), ancorada por William Waack, debateu no primeiro bloco as decisões européias da
semana passada. Todos eles infelizes com a inflexibilidade da senhora Angela Merckel, que não quer
ver o Banco Central europeu transformado em emprestador de última instância e
sancionador da irresponsabilidade fiscal dos parceiros quebrados. Mais que
ninguém a Alemanha sabe do valor indelével de uma moeda saudável. No segundo bloco foi analisada a situação do
Brasil. E aqui foi a minha grande surpresa quando Paulo Francini,
criticando os demais especialistas, reclamando da desindustrialização do
Brasil, clamou por um "plano" de salvação da indústria nacional.
Isso mesmo! O velho e malfadado "plano", a varinha de condão de
todos os comunistas mundo afora. A Fiesp será
talvez a mais vetusta instituição infiltrada pelas teses do Partido
Comunista, que sempre fez do "plano" a mola mestra da ação
econômica estatal. Por que há desindustrialização? Por razões
conhecidas: 1- A China, usando da sua imensa reserva de mão de obra,
simplesmente deslocou as plantas industriais do mundo para seu território. Lá
o Estado, paradoxalmente, tributa pouco, o mercado de trabalho é
desregulamentado e os trabalhadores ganham bem pouco. Compensa aos
empresários atravessar o globo para lá produzir. Isso retirou plantas
industriais inteiras do Brasil; 2- A política cambial do governo do PT
descobriu as delícias do câmbio valorizado, ancorando a baixa taxa de
inflação. O partido sabe que a perda de controle sobre os preços pode lhe
custar o poder político. Aproveitou o momento favorável dos preços da
commodities e afrouxou a política fiscal. O impacto nos preços só não é
corrosivo ainda porque o câmbio segura tudo. Ninguém sabe até quando. O que o "plano" teria a fazer
contra isso? Nada. Paulo Francini e sua Fiesp avalizaram Lula e o PT e não podem pleitear
mudanças na política salarial, bem como na política do mercado de trabalho
enrijecido, tão cara aos sindicalistas da base do governo. A inflexibilidade
do mercado de trabalho é total. Não há também como ter surpresas na taxa de
câmbio, pois o sistema de metas de inflação tem se mostrado bom para administrar conflitos
e permitido a navegação em meio à crise. O tal "plano" pleiteado teria
portanto o encargo de fazer o que essa gente da Fiesp
sempre quis e pleiteou: reserva de mercado, barreira tarifária e subsídios
estatais para o suposto "desenvolvimento" industrial. O velho filme
dos anos cinqüenta. Claro que os tempos são outros e tal receita não tem sequer
condições de ganhar respeitabilidade política. Paulo Francini e
seus pares não discutem o único caminho possível, o de repensar o Estado
social-democrata ossificado, que transformou a população brasileira em rentista do Estado. A supertributação
vem nesse processo, outro vetor a tirar competitividade da indústria
nacional. Reduzir a regulamentação no mercado de trabalho, amenizar a
necessidade de financiamento externo pela elevação da taxa de poupança e
liberar os forças de mercado são as únicas bandeiras sensatas, mas Paulo Francini nem opinou sobre essa possibilidade. Ficou
apenas no mágico "plano", como se essa loucura não tivesse sido
completamente desmoralizada desde o naufrágio da ex-URSS. |
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