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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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GDF
E A ESTRATÉGIA REVOLUCIONÁRIA 30 de novembro de 2009 Penso que o
Brasil inteiro acompanha com nojo o desenrolar dos acontecimentos envolvendo
o Governo do Distrito Federal. De repente caiu a máscara de todo mundo da
situação, daqueles que integram o poder local. Em um processo de filmagem
inovador, com suporte judicial, um delator graúdo filmou seus pares e seu
chefe, o governador, em pleno processo de reparte do butim de propinas. O que
há de novo nisso? Meu caro leitor, há muitas
novidades, que precisam ser consideradas, além da imundície da corrupção
exposta. Vejamos algumas. Em primeiro
lugar, o método. A Justiça tomou um acusado antigo e, não sei por que vias
legais, o transformou em repórter do esgoto da corrupção do GDF. Eu jamais
tinha ouvido falar nesse método de investigação, que de investigação nada
tem: na verdade, é método de comunicação política esmagadoramente eficiente
para destruir os adversários políticos do PT. Praticamente eliminou-se a
possibilidade das forças petistas perderem o pleito do ano que vem em Brasília.
José Roberto Arruda e aqueles a quem ele está ligado estão liquidados. Da
mesma forma, as forças em torno de Joaquim Roriz. O vácuo político criado será
preenchido alegremente pelo PT. É puro terrorismo policial contras os adversários. Em segundo
lugar, a desproporção de forças entre os quadros do PT, que controlam a
Justiça e a Polícia Federal, e as forças políticas tradicionais. O PT há oito
anos aperfeiçoa sua ação underground.
Agora veremos toda a força dessa gente atuando no período eleitoral para
derrotar os adversários antes dos
eleitores irem votar. É um método policial de destruição, podemos dizer, altamente devastador. Ademais, aquelas
forças que não foram formalmente denunciadas poderão agora ser caladas
pela simples ameaça de os agentes governistas porem em marcha seus recursos
policialescos. Os agentes federais são agora os “finger
men” do petismo. Estamos praticamente vivendo
dentro de uma ditadura policial sem que a ordem jurídica formal tenha sido
quebrada. Não adianta
argumentar que José Roberto Arruda e sua quadrilha têm culpa no cartório. Todos
os agentes políticos fazem exatamente o que os relatos dos jornais trouxeram.
É assim que tem funcionado a chamada política patrimonialista desde que o
mundo é mundo. O fato novo é que temos um governante que não hesita em usar
os modernos meios de ação para, seletivamente, pôr em movimento as forças
judiciais e policiais com o fim último de destruir os inimigos políticos. Não
nos enganemos: aqueles que dão a ordem de gravação são moralmente muito
piores do que aqueles que são gravados. Prefiro os patrimonialistas aos
revolucionários no poder. Estes não querem melhorar as nossas práticas políticas;
querem tão somente o poder total. Então não se
trata de ser favorável ou não ao combate à corrupção política. Essa é uma
falsa questão. Menos ainda de aperfeiçoar as práticas democráticas. Trata-se
de perceber que é uma jogada suja dos que controlam o aparato repressivo
contra os políticos tradicionais. Estes políticos, assim como os empresários,
até agora entenderam que o PT é um partido comum, normal. Erraram: o PT é um
partido revolucionário e, enquanto tal, está
chegando às últimas conseqüências contra aqueles que estão em seu caminho na
política e no meio empresarial. É por isso que Lula e o PT estão tão
confiantes na candidatura Dilma. Sabem os botões que dispõem para executar
aqueles que atrapalham seus planos. Enquanto a
população eleitora fica chocada diante do noticiário da TV o PT avança célere
rumo ao seu objetivo último, o totalitarismo. É por isso que vejo a situação
do GDF com muito medo. É o prelúdio do que está por vir. Os políticos
patrimonialistas recebem sua propina e deixam o povo viver em paz. Já os
revolucionários querem muito mais que proprinas
(lembremo-nos do Mensalão), querem implantar por aqui um outro mundo possível, o Estado Total. São tempos de grandes perigos. |
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