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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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FOLHA
DE SÃO PAULO: MENOS QUE VEROSSÍMIL 23 de outubro de 2009 Um fato
político relevante da semana foi a entrevista concedida pelo presidente Lula à
Folha de São Paulo, publicada na edição de ontem. Lula aparece sobriamente,
representando melhor que nunca seu único personagem: ele mesmo. Falou de
muitos assuntos, mas o que marcou na entrevista foi o seguinte trecho: “Qualquer um que ganhar as eleições, pode
ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, não conseguirá montar o
governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer
tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para
cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar
Judas para fazer coalizão”. No editorial
da edição de hoje a Folha abordou o assunto (Menos que o
possível), tratando o
governo do PT como a coisa mais banal e como se Lula e sua turma tivessem se
curvado ao que o editorialista chamou de “o que sempre existiu de mais arcaico e
oligárquico na política brasileira”. Ora, se algo há a elogiar no PT é o elogio à traição ao povo brasileiro. É seu realismo político que permitiu
que fizesse tudo que queria para mudar o sistema jurídico brasileiro, o
sistema de ensino, as relações internacionais, a invenção de cotas raciais, a
política estatal pro aborto, a instituição legal da compra de votos a troco
de bolsa família. Os fundos de pensão das empresas estatais estão sendo
usados para que o governo obtenha o completo controle das grandes empresas
com ações em bolsa, ao lado do movimento de reestatização
aberto, inclusive com recriações de dinossauros extintos, como a SUDENE. Seu apoio
financeiro e político ao MST tem elevado dramaticamente a capacidade
de ação da subversão desse grupo maoísta, que tem por objetivo acabar com a propriedade
privada, especialmente nos campos. A multiplicação do funcionalismo público
será talvez a herança mais desgraçada que Lula deixará. Sem esquecer
o apoio ostensivo a seus aliados do Foro de São Paulo, mais das vezes em
prejuízo do patrimônio do povo brasileiro, como foi o caso da tomada militar
das instalações da Petrobras (e subseqüente elevação dos preços do gás na
Bolívia) e a revisão tarifária de Itaipu com o presidente eleito do Paraguai.
Mais recentemente tivemos a desastrada atuação da diplomacia brasileira em
Honduras, com uma novidadeira interferência do Brasil nos assuntos internos
daquele país, prejudicando seriamente a normalização de sua vida
institucional. E, para completar a guinada de 180 graus, o apoio ao
presidente do Irã e sua ensandecida política nuclear militarista, concebida
com o objetivo de destruir Israel. Também temos que lembrar que o tiranete
Hugo Chávez só se manteve no poder por interferência direta do governo
brasileiro, para a desgraça do povo daquele país. O resumo de
todas essas profundas mudanças tem sido que o Brasil emergirá, ao final de
oito anos de Lula, como um país radicalmente diferente do que ele recebeu. As
chamadas forças retrógradas serviram apenas para legitimar esse trabalho de
formatação do Brasil ao socialismo, de difícil reversão. Mas o míope editorialsita da Folha não enxerga assim. Escreveu:”A
realidade política é o que é, repete o presidente Lula. Mas há uma diferença
entre tentar mudá-la e contribuir para que continue como está. A política não
é apenas ‘a arte do possível’, como dizia Fernando Henrique Cardoso -mas a
arte de ampliar esses limites”. É como se estivéssemos diante de um
governo conservador, que em nada mexeu, que não moldou o ordenamento jurídico
radicalmente, na direção do socialismo. A Folha de São Paulo contribuiu assim
para injetar mais soporífero sobre seus leitores, que assim passaram a se
tranqüilizar diante dessa suposta estabilidade institucional, que deixou de
existir quando Lula assumiu. E os leitores esquerdistas e socialistas ficarão
com a sensação que nada foi feito no rumo da socialização. É preciso
desmascarar essas mentiras da Folha. Se fosse um jornal honesto diria o que
está escrito acima, que os supostos patrimonialistas são também base de apoio
para a ação de transformação social e política que tem feito o governo Lula.
Gente como Sarney e seus aliados acovardaram-se diante da avalanche
socialista. Somente em duas ocasiões derrotaram os petistas: quando da não
aprovação da CPMF e da emenda de reeleição. Três míseros votos no Senado é
que separam o Brasil de uma república bolivariana aberta. É o que impediu que
o totalitarismo à moda venezuelana fosse aqui implantado. A exceção que
confirma a regra. |
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