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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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FHC E O OLHO DA FURACÃO 08/08/2011 Não sei se louvo a sinceridade implícita ou
mendacidade explícita que, combinadas, estão presentes no artigo publicado
pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (David e Golias). Comecemos pelo começo.
Inicia o artigo dizendo que a Hilary Clinton constatou que, “pela primeira
vez”, estava havendo um grande abismo entre poder, economia e sociedade nos
EUA. Ele não lembrou de dizer que, pela primeira
vez, o pacto social-democrata – que pode ser chamado de pacto estóico ou globalista – foi quebrado pela presença dos partidários
do Tea Party. O longo e
tenebroso século XX foi o campo virgem no qual surfaram aqueles que foram
partícipes do pacto, em ambos os partidos dominantes. A bem
da verdade os membros do Tea Party
se abrigam no Partido Republicado, mas são uma força integralmente nova, que
teve a capacidade de dizer “não” a essa aventura esquerdista que levou o
mundo à crise (no momento em que escrevo a internet informa que as bolsas do
mundo despencaram e a de São Paulo teve queda superior a 8%, contra queda de
mais de 5% na sexta feira, último dia útil). “E agora?” Perguntou-se
FHC, retórico. E, mendaz, emendou: “Agora, digo
eu, parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior
e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem
aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social
reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável”. Veja-se que, de propósito, a palavra conservadores aparece desconectada do
contexto social, como se fossem um bando de ETs alucinados. Ora, os
conservadores são precisamente gente da classe média e da classe baixa,
indignada com o hedonismo ateu e a irresponsabilidade fiscal que negam os
valores tradicionais do povo norte-americano. Bom que se diga que os
“progressistas” e social-democratas (esquerdistas globalistas)
são exatamente compostos e liderados pela plutocracia financeira e industrial
dos EUA, tão emblematicamente representada por George Soros e pela General Motors. Os membros do Tea
Party são tidos e havidos por caipiras e, por isso mesmo, desprezados pela esquerda sofisticada. Um
sociólogo renomado como FHC não haverá de desconhecer esse fato comezinho,
portanto mente. Agora,
digo eu, esses alienados, que estão mergulhados na surreal
Segunda Realidade, encontraram força organizada capaz de enfrentá-los
e vencê-los, tanto no campo político como no campo das idéias. Os membros do Tea Party carregam consigo a
chama da tradição filosófica conservadora, mais viva do que nunca. E essa é a
novidade, que o conservadorismo renasceu no meio social, de baixo para cima e
politicamente organizado, forte o bastante para eleger o futuro presidente a
República. O lenga-lenga (ou nhém-nhém-nhém,
ao gosto de FHC) do coitadismo não comove aquele
movimento vencedor, que deu a rasteira na social-democracia e travou o inábil
Barack Obama, que se curvou à realidade na hora derradeira. Ao menos não
deixou se instalar a ingovernabilidade. O tom da discussão política mudou,
elevou-se, fato lamentado por FHC e seus acólitos, porque a social-democracia
só triunfa em meio à ignorância e mentira previamente plantadas pelas
técnicas da revolução gramsciana, que o próprio FHC
aplicou no Brasil eficazmente com amplas verbas da Fundação Ford (e outras)
pela sua querida CEBRAP. FHC
com a carapuça de sonso: “No meio de
tudo isso, a crise provocada pelo cassino financeiro surgiu como um terremoto.” O que é cassino financeiro? Quem o criou? Cassino financeiro
é a superabundância de moeda e crédito criados pelos globalistas,
usando as teorias tortas de Keynes e de Milton Friedman. De fato, é um
cassino financeiro, contra o valor da moeda e cobrando imposto inflacionário.
Moeda falsa. Mas o tal cassino é efeito e não causa. Precisamente contra ele
que se levantaram os conservadores. A super liquidez
gerada pela irresponsabilidade paga o bilhete de entrada na Segunda Realidade
dos socialistas alucinados. E a mendacidade mais superlativa de FHC: “onde e quanto cortar mais no orçamento de
um país que clama por muletas para reavivar a economia”, pergunta-se. A economia não precisa da muleta estatal, é precisamente esse
o argumento sofístico. É cortar imediatamente onde o Estado exorbitou, inclusive nos programas sociais e de
Previdência Social, sem dó e nem piedade e sem dilatação de prazo. FHC en passant fala da falida
Europa e da “periferia gloriosa” (expressão dele). Ora, o problema é
exatamente o mesmo, apenas que não há aqui o ator faltante, grupos de conservadores
organizados capazes de tomar o poder e refazer o Estado hipertrofiado dos
socialistas. Na falta desse ator impera a lei natural: a crise faz o seu
papel pedagógico, como tão emblematicamente estamos vendo na Grécia. A Lei da
Escassez se imporá ou pela razão ou pela inércia. Os norte-americanos
preferiram conduzir o processo; os europeus escolheram ser por ele
conduzidos. E a “periferia gloriosa” governada pelos estúpidos, como Dilma Rousseff, também assim, à moda francesa sempre e sempre.
Arguto, FHC revelou que enxerga o real: “Mal
comparando, a presidenta Dilma está aprisionada num dilema do gênero daquele
que agarrou Obama.” Infelizmente aqui não temos o porrete do Tea Party para fazer o medíocre
governo do PT acordar. FHC foi tão cortês com Dilma que a chamou de
“presidenta”, fato que nenhum dos meios de comunicação comprados a peso de
ouro ousou fazer. FHC rastejou servilmente diante dos seus falsos adversários
ideológicos, pois que são iguaiszinhos a ele. Que tem a ver Davi com Golias? Ele diz que Golias é “pai de Davi”. É Lula o Golias, David a Dilma. Nada a ver com o tema do artigo. Um fecho eleitoreiro, superficial, em um artigo importante demais. |
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