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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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FHC CONTRARIA JOSÉ SERRA 01/08/2008 Quero
comentar aqui o artigo de hoje de FHC (“Cara ou coroa?”), publicado em vários
jornais pelo Brasil. FHC é um homem inteligente e muito bem informado? Sim, é.
É um homem de partido, comprometido com o seu candidato? Vamos ver abaixo. É
um homem idoso e poderoso, que tem compromisso com a Nação e as novas
gerações? Creio que não. O seu viés ideológico o impede de ser um estadista. Creio que
FHC sabe mais que ninguém qual é a diferença entre o seu partido, o PSDB, e
as forças agrupadas sob a liderança do PT: seu partido é a pura expressão da
social-democracia, que propõe a manutenção da instituição da propriedade
privada dos meios de produção, mas com regulação do mercado e distribuição de
renda pelo instrumento da forte tributação. Em artigos anteriores mostrei que
esse modelo entrou em crise terminal em toda parte, especialmente na Europa
ocidental, mas também nos EUA e no Japão. Se o distributivismo
no âmbito da social-democracia se esgotou, o que suas lideranças estão
propondo mundo afora é a sensatez: a simples redução do Estado ou, ao menos,
o equilíbrio orçamentário que minimize ou impeça a eclosão de crises fiscais.
A Europa já se conformou em ter baixas taxas de crescimento econômico nos
próximos anos em troca de estabilidade de preços e de suas relações
econômicas internacionais. O PT,
pelo contrário, desde a origem recusou-se dar um sentido claro ao que entende
pelo conceito “socialismo”, justamente porque sua proposta é diferente, é
usar o espaço democrático garantido pela ordem da social-democracia para
alcançar seu objetivo de implantação de um governo de vanguarda revolucionária.
No seu arco de aliança é preciso destacar a parceria estratégica com o PCdoB,
partido tipicamente marxista-leninista, e outros grupos menores que querem a
revolução já. E o PT, no poder com Lula, tem seguido fielmente a receita
revolucionária de Antonio Gramsci, de fazer a fusão paulatina do partido com
os órgãos de Estado. Não podemos nos esquecer também que a política externa
de Lula tem sido a de cortejar radicais, de confrontar os EUA, e apoiar os narco-terroristas das FARC, Hugo Chávez, a insana
teocracia do Irã, alinhamento automático com a China comunista e apoio a
todos os malucos revolucionários da América Latina. O episódio de Honduras
foi o mais patético e o mais explícito desse anseio imperialista revolucionário,
que só não foi além por causa da dureza da intervenção norte-americana, em
boa hora. No citado
artigo citado, agora no auge da campanha em que José Serra tenta se
diferenciar do afã carbonário de sua adversária, o “sábio” FHC escreveu: “O voto decidirá entre dois modelos de sociedade. Um mais centralizador e burocrático, outro mais
competitivo e meritocrático. No geral, ambos os
oponentes levarão adiante o capitalismo. Estamos longe dos dias em que o
PT e sua candidata sonhavam com o que Lula nunca sonhou: o controle social
dos meios de produção e uma sociedade socialista. Mas estamos mais perto do
que parece de concretizar o que vem sendo esboçado neste segundo mandato
petista: mais controle do Estado pelo partido, mais burocratização e
corporativismo na economia, mais apostas em controles não democráticos, além
de maior aproximação com governos autoritários, revestidos de retórica
popular”. Tal afirmação, além de ser uma óbvia
inverdade, é um desserviço à candidatura de José Serra, na medida em que
equipara ambas e retira de Dilma Rousseff qualquer
ameaça revolucionária. Ambos os candidatos levarão adiante o capitalismo? Isso,
além de mentiroso, é contrapropaganda contra o seu
próprio partido e o que tem dito o seu candidato. A diferença entre os dois
candidatos não se dá em minudências acessórias, mas nos fundamentos
filosóficos mais profundos. O PT é marxista-leninista e se propõe fazer na
América Latina o que foi perdido no Leste europeu, conforme as atas do Foro
de São Paulo. No final do artigo faz pura retórica ao afirmar que as
candidaturas não são iguais, depois de torná-las equivalentes no plano mais
profundo. O essencial que diferencia ambos os candidatos não é, como ele escreveu: “Há
argumentos para defender qualquer dos dois. Mas que não são a mesma coisa,
não são. E não porque num governo haverá fartura e noutro, escassez, para
pobres ou ricos. E sim porque num haverá mais transparência e liberdade que
no outro. Menos controle policialesco, menos ingerência de forças
partidário-sindicais. E menos corrupção, que mais do que um propósito é uma consequência.” A diferença essencial, que FHC se
recusou a apontar, é que o PT quer fundar um império à moda do que foi o
soviético na América Latina, tendo o Brasil como centro. Creio que
FHC perdeu uma excelente oportunidade de não apenas defender o seu candidato,
José Serra, mas também o Brasil, denunciando as verdadeiras (más) intenções
dos grupos políticos abrigados em torno de Dilma Rousseff.
O ex-presidente anestesiou o eleitorado que eventualmente venha a ler o
artigo sem ter os meios para perceber as mentiras nele contidas. FHC deveria
ter dito a verdade: o PT é um perigo que deve ser combatido de todas as
formas e denunciado em todos os fóruns. |
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