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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ESTADÃO
MENTE SOBRE ZELAYA 30 de setembro de 2009 O editorial
da edição de hoje do Estadão (Única
saída para o Brasil)
só não é mais sonso e mentiroso, ao abordar o papelão Brasileiro na crise de
Honduras, porque impossível. Rememoremos: Zelaya
voltou a Honduras amparado pelos meios operacionais
fornecidos por Hugo Chávez, com pleno apoio, concordância e conhecimento
prévio do governo brasileiro. Toda a gente sabe que Zelaya
não voltou a Honduras para fazer turismo, mas para fazer uma revolução
bolivariana. Desde os primórdios estava configurada uma aventura quixotesca,
experimental, um jogo ridículo em que o Zelaya
entra com o papel de palhaço (e o risco pessoal) e seus amigos do Foro de São
Paulo entram com o apoio internacional. O objetivo, além de restabelecer o
“companheiro” ao poder, era exercitar o poder de império dos diversos
governos filiados ao Foro de São Paulo. No primeiro
momento o governo Obama assentiu. Com o passar dos
dias, ficou claro o perigo que é a quebra de uma ordem política. Mesmo Obama teve que recuar e declarar a necessidade de ordem,
em face dos interesses estratégicos dos EUA. Foi uma baixa considerável para
as forças insurrecionais. Zelaya agora só conta com
o apoio estrito do Foro de São Paulo, insuficiente para levar a cabo seus
propósitos. A decisão de Washington selou o desfecho previsível. Desde o
início o governo Lula tem sido mais que cúmplice, tem sido
arquiteto e incentivador da aventura de Zelaya. Mas
o editorialista estadônico
não vê assim. Escreveu: “Desde que
o presidente deposto Manuel Zelaya entrou no recinto ocupado pela embaixada
brasileira durante seu governo, como hóspede e não como asilado político,
ninguém consegue impedir que ele faça das antigas instalações diplomáticas
uma ‘plataforma política da insurreição’. Ao receber Zelaya, naquelas
condições, o governo brasileiro, que não mantém relações com o atual governo,
já cometeu um grave erro diplomático, pois não se tratava de um político
proscrito que buscava refúgio para escapar da perseguição de seus
adversários, mas de um presidente deposto e expatriado que voltava a seu país
clandestinamente”. O governo Lula não cometeu erro algum, mas se associou
de caso pensado numa empreitada fadada ao fracasso tão somente em nome de
seus princípios revolucionários. Chamar isso de erro é minimizar o que se
sucedeu. Estamos diante da partidarização da política externa do
Estado, algo sem registro na história do Brasil. Terá sido o primeiro gesto
explicitamente imperialista desde a fundação. Falar em erro é contribuir para
desconversar, para confudir o público leitor, para minimizar a
responsabilidade de Lula diante do episódio. Na mesma toada, o editorialista escreveu: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o
chanceler Celso Amorim, mais de uma vez, pediram a Zelaya que se abstivesse
de fazer a propaganda da insurreição enquanto estivesse no recinto da antiga
embaixada. Não foram atendidos. No sábado, obedecendo a instruções estritas,
o diplomata Lineu Pupo de Paula voltou a transmitir a Zelaya o pedido do
governo brasileiro para não fazer da antiga embaixada uma central de agitação
política. Mais uma vez não houve resposta”. Ora, se a diplocia tinha perfeita clareza de que Zelaya
tinha um único propósito na sua viagem – instaurar a insurreição – e que o
único território disponibilziado a ele seria a própria embaixada, a conclusão
se impõe: o Estadão mente para ocultar o fato óbvio de que o Brasil virou
sócio da subversão em Honduras e autorizou previamente todos os movimentos
insurrecionais no seu território. Não há ginástica verbal que possa impedir a
visão desse fato cristalino. Continua o raciocíno: “Manuel Zelaya é o hóspede inconveniente que se comporta como dono da
casa. Ali ele dispõe de tamanha liberdade de ação que lhe permite fomentar
uma insurreição política de dentro dela, já que o governo que o depôs ainda
respeita o recinto como sede de uma missão diplomática”. Faz porque o
próprio dono da casa mandou fazer, simples. Conclui o texto dizendo que “A única saída digna para o governo brasileiro da armadilha em que se
meteu parece ser a concessão de asilo a Zelaya em território nacional”. Talvez Hugo Chávez não permita a Lula o
privilégio de oferecer o asilo político. Haverá de querer ter mais próximo de
si o aventureiro do chapéu branco. Meu caro leitor, é notavelmente insalúbre e
desagradável ler um jornal tão mentiroso. Deveres do ofício. |
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