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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ESTADÃO MASSACRA SARNEY 31 de julho de 2009 Acabei de
ver no site do Estadão, agora são 23:30, a manchete
dos sonhos dos que estão a perseguir o velho coronel Ribamar do Maranhão: Justiça
censura Estado e proíbe informações sobre Sarney. Talvez tenha sido o passo em
falso mais ingênuo que Sarney terá dado nesse enfrentamento com as hostes
petistas e estadônicas: recorrer à Justiça. Sua
posição era frágil desde o inicio, porque a base real das denúncias procedia,
mas Sarney estava plenamente dentro do figurino de vítima da campanha
singularmente virulenta que tem sofrido. . Com esse
gesto de recorrer à Justiça o panfleto petista autorizado, o jornal Estadão,
assumiu integramente o papel de censurado,
chamando para si o histórico papel que desempenhou durante o regime militar,
como se houvesse paralelo. É preciso que se diga que decisão de Justiça não é
censura – é ato legítimo do Estado de Direito. E que se diga também que o
Estadão tem abusado cotidianamente do seu poder midiático contra a figura
pública do senador, sem explicar aos brasileiros porque só ele, Estadão, tem
acesso exclusivo às fontes de notícias, algumas nitidamente ilegais, como as
gravações que estavam salvaguardadas pelo segredo de Justiça. Quantos golpes
no mesmo cadáver! O
populismo jornalístico em torno da decisão da Justiça já começou e
provavelmente esta será amanhã a manchete do jornalão
paulista. Será digna de guardar como exemplo de cinismo. O algoz caçoando da
vítima. Mais uma vez vamos assistir à comédia em que um fato verdadeiro irá
suportar a infâmia mais vil. O poder do Planalto baixou contra o velho
senador nas páginas alugadas do jornal. Devo dizer que poucas vezes em minha
vida vi campanha mais sistemática, mais longa e mais determinada contra um
homem público como esta levada a efeito pelo Estadão. A mim
provoca náuseas. E medo. Se fazem isso a Sarney, um homem
sabidamente poderoso, poderão fazê-lo contra qualquer um. Talvez seja
esse o cálculo político: a falange do ministro da Justiça, usando dos poderes
de espionagem do Estado, terá informações desabonadoras suficientes contra
todos os senadores e outras autoridades da República. Ao fazer de Sarney um
Judas impiedosamente massacrado passa o recado para todos os seus pares que
indisciplina não será tolerada contra a vontade o partido governante. É a
anti-sala de um regime de exceção. A vontade do PT vai prevalecer. Não tenho
nenhuma simpatia pessoal pelo velho coronel Ribamar do Maranhão. Mas tenho
para mim, perfeitamente claro, o significado político de sua imolação: todo o
poder aos bolcheviques do PT. A fúria
com que se jogaram contra Sarney e a pressa demonstrada para dar logo a
machadada final me levam a suspeitar que os acontecimentos na direção da
sucessão estejam se precipitando. Nem a Justiça serve de escudo para Sarney.
Ele está politicamente liquidado e provavelmente sairá de cena da pior forma
possível. |
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