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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ESTADÃO
COMENTA CONFECOM 15 de dezembro de 2009 Hoje o Estadão
trouxe duas matérias sobre o CONFECOM. Conversei com o repórter que
escreveu as matérias, aliás muito boas. O Estadão
quebrou mesmo o silêncio da grande mídia à Conferência. João Domingos foi
muito feliz ao destacar que o
foco é o "controle social da mídia".
Nessa expressão está contida toda a razão de ser do evento, toda sua má fé. Controle social
da mídia é um eufemismo para expressão do afã de controlar o conteúdo e os
meios de comunicação. Se depender dos atores que compõem a COFECOM a
liberdade de imprensa como a conhecemos vai
desaparecer, ficando no seu lugar os press release
dos agentes revolucionários. É o totalitarismo com todas as letras. Por isso que
insistem tanto na tese de que a comunicação é um “direito”, porque assim definido
cria-se a ponte para politizar a produção de notícias e expropriar os meios
de comunicação. Obviamente que comunicação não é um direito especial e o
mercado tem atendido sua demanda. A crítica que se pode fazer aos provedores
de conteúdo é que eles estão sob controle dos agentes gramscianos.
Por esse caminho seu conteúdo já está integralmente comprometido com a causa
dos revolucionários. Para eles, todavia, esse controle não é suficiente.
Querem tudo, a propriedade e a administração, não basta o controle ideológico
da redação, sempre visto como uma etapa do processo, que agora deve ser
superado. Da mesma forma,
o bordão da “inclusão digital” serve de biombo para justificar a intervenção
direta do Estado na produção dos serviços de infra-estrutura. Claro,
implícito está o enorme subsídio para viabilizar a oferta dos serviços nas
regiões que não dispõem de prévias externalidades e
nem de economias de escala. Mas, isso, é mero detalhe. Passa-se a impressão
de que o setor privado não supre adequadamente os serviços por deliberação
maléfica. Interessante é
que a visão de Lula e dos partícipes da CONFECOM é que a recusa dos
produtores de conteúdo de compactuarem com o grande circo é um “boicote” e se
portam como se fossem vítimas. Ora, são os veículos que são as vítimas, pois
a Conferência foi chamada justamente para transformar o negócio de produção
de notícias em uma atividade integralmente sob o controle dos agentes
partidários e governamentais. Podemos dizer que o silêncio dos órgãos de
imprensa é uma posição de defesa, embora eu entenda que o gesto é
insuficiente em face das ameaças econômicas e políticas que pairam sobre o
setor. As CONFECOM terá desdobramentos práticos
imprevisíveis e permitirá o avanço das teses revolucionárias sobre o sistema
jurídico que regula o setor. A essa altura
deveria estar nas ruas campanha de mobilização em defesa do livre mercado e a
própria denúncia da CONFECOM como um mecanismo de se instituir a ditadura nos
meios de comunicação, prelúdio do totalitarismo institucional. Penso que não
será possível nenhum meio termo, nenhuma composição. Os revolucionários estão
muito ciosos de seu poder de esmagar o setor privado e pretendem levar suas
idéias às últimas conseqüências. Os empresários do setor não terão
alternativa que não fazer oposição aberta ao regime político. Quanto mais
tarda essa oposição ativa, maiores serão os perigos, pois os inimigos da
liberdade de informação se sentirão mais fortes para realizar sua ação
deletéria. A matéria sintética
do Estadão foi muito feliz ao resumir o mote principal da CONFECOM. Queira-se
ou não duas visões de mundo disputam o espaço de poder e o futuro do Brasil.
Os que defendem a sociedade aberta precisam agir. |
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