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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ENTENDENDO DONA MARTA 20/10/2008 É
entediante a campanha eleitoral em curso na cidade de São Paulo, seja pelo
desfecho previsível – a quase certa vitória de Gilberto Kassab
-, seja pelo nível dos discursos dos candidatos. De fato, os formuladores das
campanhas dirigem-se direto às massas, na linguagem a mais crua, cultivando
seus instintos bestiais. Dá náusea. A única coisa que surpreendeu foi a Dona
Marta, com a sua performance contra a suposta
“opção” sexual do concorrente, ação sobre a qual quero tecer algumas palavras
aqui. Cabeça de
petista é muito previsível. Imagino perfeitamente o que se passou. Fizeram o
diagnóstico de que a comunidade GLS sempre se alinhou automaticamente com a
ex-prefeita e que o eleitorado do prefeito Kassab,
por não votar no PT, é conservador, logo automaticamente anti-gay.
Dentro desse eleitorado estariam os “crentes”, identificados com os
protestantes pentecostais, como também todos os religiosos de modo geral. A partir
dessas obviedades caricatas formulou-se o que chamei de “tática de jerico”: o que a Dona Marta supunha ter (a comunidade
homossexual) seria seu, então ela precisaria conquistar votos no campo
adversário. Por primeiro, fazendo encontro com os bispos mais poderosos em
tamanho de rebanho; em segundo,
procurando passar a imagem de Kassab que não
preencheria os requisitos para receber os votos conservadores, como se a
ex-prefeita pudesse caber em um figurino conservador. Cabe aqui
mencionar a lacuna do eleitorado católico conservador no discurso da Dona
Marta, pois os petistas imaginam que os católicos aderem a eles
automaticamente. O que vejo é minguar o segmento seguidor da teologia da
libertação e aumentar aqueles que seguem a orientação do Papa. O segmento católico
foi completamente esquecido, como se não tivesse ele mesmo um largo
componente conservador. Essa é uma das razões das sucessivas derrotas do PT
em São Paulo. A coisa
soou tão artificial e gratuita contra Gilberto Kassab
que os estrategistas conseguiram exatamente o oposto do que queriam: perderam
votos tidos como cativos por causa da agressão e não convenceram nem um
“fiel” sequer da justeza da difamação inesperada. Ficaram na pior situação.
As pessoas não se perguntam da vida pessoal do candidato, que já tem uma
longa carreira política e é bem conhecido dos paulistanos, tendo uma vida
pessoal discretíssima. O drama
petista é que o tempo de campanha no
segundo turno é bem curto e esse erro tático inicial impediu um
realinhamento, que de fato desse um discurso para Marta Suplicy conquistar a
classe média paulistana. Desde que se constatou a rejeição à linha de
campanha ela ficou sem discurso. Raciocínios
primários como esses não apenas não expandem o campo eleitoral, mas podem
contribuir para uma derrota histórica de Marta Suplicy em São Paulo. Essa
derrota pode se configurar se sua votação no segundo turno ficar muito perto
daquela a ela conferida no primeiro turno, uma possibilidade que está se
cristalizando. Cada vez mais fica claro o que foi feito: uma péssima atriz
recitando um péssimo texto. Mensagem errada na boca errada. Soou mal. A
cidade de São Paulo tem o eleitorado mais sofisticado e consciente do Brasil.
Um lero desses não seria nunca aceito por aqui,
sobretudo pelo tom inusitadamente preconceituoso que assumiu. Fico
olhando as imagens da ex-prefeita no vídeo. Está deformada pelas plásticas
que fez ou pelo uso abusivo de botox. Está com os lábios deformados, como se
tivessem tomado uns tapas, com alguns segmentos como
que inchados. Os olhos estão cada vez mais fechados, repuxados, cada um deles
com um desenho diferente, como se tivessem sido retirados de corpos
diferentes para compor o conjunto. Uma construção disforme. Juntando
os fatos, podemos dizer que o que está
dentro é como o que está fora. O rosto disforme combina com as idéias
deformadas. É por isso que os eleitores paulistanos rejeitaram a candidatura. |
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