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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ENTENDENDO
A INSPEÇÃO AMBIENTAL VEICULAR 14 de janeiro de 2010 O artigo
do secretário do Meio-ambiente, Eduardo Jorge, publicado hoje na Folha de São
Paulo (Inspeção
veicular em São Paulo) serviu de mote para eu voltar ao tema. O artigo
relata que havia uma empresa contratada, a “Controlar” (Oh,
nome! Não poderia haver nada igual. Controlar é tudo que essa comunalha do Trânsito e do Meio-Ambiente almeja, controlar as nossas vidas e tomar o nosso dinheiro).
Os sucessivos atrasos provavelmente deveram-se a alguma mão bendita que sabia
da enorme injustiça e do enorme abuso que é a colocação em operação desse
monstro burocrático. A escolha da empresa Controlar (Oh, nome!) se deu na gestão de Paulo
Maluf em 1996 e, como tudo que Maluf fez, foi cercado de suspeitas e
questionamentos. Passaram-se dez anos e nada aconteceu e venceu o contrato da
empresa Controlar (Oh, nome!), que foi prorrogado debaixo de muitas críticas
e questionamento dos órgãos jurídicos (vê notícia).
A base de tudo está no Código Nacional de Trânsito, que no seu artigo 24
reza: “XVI - planejar e
implantar medidas para redução da circulação de veículos e reorientação do
tráfego, com o objetivo de diminuir a emissão global de poluentes”. Obviamente
que se criou, com esse dispositivo, a oportunidade para a construção desse
monstro burocrático, transferindo-se o ônus para o proprietário do veículo. A
aliança entra a burocracia do trânsito e a do meio-ambiente foi mortal, em
prejuízo dos proprietários de automóveis. O custo, vale recordar, é não
apenas a exorbitante taxa cobrada, como também a perda de tempo de ter que ir lá, com os respectivos
custos inerentes. Um negócio milionário, um cartório corrosivo que o contribuinte
idiota morador de São Paulo passou a arcar.
Não pense você, caro leitor, que a população de São Paulo, a única no
Brasil sujeita a esse constrangimento estapafúrdio, ficará apenas com esse
prejuízo. Pense você no proprietário pobre de um veículo. Ele não terá
dinheiro nem para pagar a taxa, quanto mais para regular corretamente o motor.
É também um atentando contra os pobres. Essa lei
discrimina violentamente a população mais pobre, que assim
ficará impedida de circular com seus veículos, automaticamente sucateados.
Nenhuma vitória a favor do meio-ambiente, uma grande derrota contra a
população mais pobre, impiedosamente roubada e cerceada na sua liberdade. Uma
derrota de todos os que moram em São Paulo. Esse é o resumo de toda a ópera.
Como sempre, nem uma palavra da grande imprensa contra esse esbulho, ela que
está assalariada aos poderosos. Não iria atrapalhar o negócio milionário. Os
argumentos da burocracia, personificados no texto do secretário Eduardo
Jorge, são sempre os de última instância: “Como havia dúvidas e
resistências naturais a um programa pioneiro como esse, foi
fundamental o apoio da Faculdade de Medicina da USP, com estudos
detalhados mostrando o impacto da poluição nas cidades brasileiras. Nós
perdemos um ano e meio de expectativa de vida devido a essa agressão aos
nossos sistemas respiratórios e circulatórios. Idosos e crianças perdem até
três anos!” Essa é
uma grande mentira, que só serve para ocultar aquilo que está à vista de
todos: essa imposição é apenas um grande roubo, um abuso, um esbulho, em
favor dos grupos de pressão caçadores de recursos orçamentários. O senhor
Eduardo Jorge é um mentiroso, junto com o prefeito. Não passam de uma
quadrilha em conluio para subtrair os recursos financeiros dos moradores de
São Paulo, eventualmente proprietários de automóveis. Não se salvou vida
alguma, mas roubou-se a população inteira. Um atentado contra a cidadania.
Onde estão os procuradores do Ministério Público? Ninguém se habilita a
defender os interesses difusos da população de São Paulo? |
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