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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ELOGIO À SUCATA 23/01/2011 Nas últimas
semanas foi aberto em São Paulo debate sobre o
possível fechamento do Cine Belas Artes, que fica na esquina da Avenida
Paulista com a Consolação, em São Paulo. Eu passei décadas da minha vida indo
lá ver filmes e reconheço que há um apego emocional/afetivo pelo local,
especialmente da gente da minha faixa etária. Com base nesse apego é que
gente como Nabil Bonduki
e José Serra politizaram a questão do possível fechamento, tentando
impedi-lo, como se aquele local pudesse guardar um relíquia arquitetônica e
fosse um marco na história da cidade de São Paulo. Tudo isso
é uma engano. O atual Cine Belas Artes é um sucata viva, um monumento elevado
à decadência das salas tradicionais de cinema. Eu próprio deixei de freqüentá-lo
porque ele virou sucata. Cinema hoje é um complexo de alta tecnologia em
imagem e som, mas também em arquitetura, conforto, facilidade de acesso e
outros elementos imprescindíveis para quem mora em grandes cidades como São
Paulo. Por isso o movimento pelo seu tombamento não passa de um exercício de
reacionarismo, mesclado com saudosismo. Um embuste emocional. Nem o
proprietário e nem o público em geral, sobretudo os jovens, têm qualquer compromisso
com as imagens de outrora que esses saudosistas guardam carinhosamente na
lembrança. O Cine
Belas Artes é apenas sucata cinematográfica e como tal deve ser sumariamente
descartado. Se Nabil Bonduki
quer mantê-lo como está que o compre, como aliás
escrevi em meu Twitter. Mas essa gente de esquerda
quer preservar com o dinheiro dos outros ou o dinheiro público aquilo que não
deve ser preservado. Entraram com processo de tombamento no órgão municipal
que cuida do patrimônio histórico. Ora, que há de especial naquela
arquitetura? Há algo de especial em sucata cinematográfica? Nada. Eu soube
que o cinema só se manteve operacional nos últimos tempos porque um grande
banco lhe subsidiava. O negócio é obviamente inviável e tombar-lhe a
arquitetura não dará viabilidade econômica e, muito menos, trará de volta o
público de outrora. A cidade
de São Paulo, nos últimos anos, recebeu grandes investimentos imobiliários em
centros comerciais, todos eles providos de cinemas de alta qualidade, que
atraíram o público consumidor. Tecnologia, facilidade de acesso, segurança:
tudo que o Cine Belas Artes não oferece está sendo oferecido pelos novos
centros comerciais. E mais: os novos cinemas estão nos bairros, as pessoas não mais precisam se deslocar para ter acesso a
bons cinemas. O Cine Belas Artes foi sucateado pelas mudanças tecnológicas e
pelas inovações do mercado de varejo. Nada a lamentar. Insisto:
se Nabil Bonduki quer o Cine
Belas Artes como está que o compre. Mas sei que ele jamais faria isso. Se
puder, ele vai estatizar e criar uma reserva para que os seus companheiros do
PT se deliciem com as películas falsamente revolucionárias e saudosistas, que
querem passar por filmes de arte. |
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