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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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DISCUTINDO
A RELAÇÃO 12 de setembro de 2009 Salta aos
olhos do observador que a “feminilização” do
masculino alcançou larga escala no Ocidente, nas últimas décadas. Há uma
espécie de ocaso do machão, certo, daquele caricato, do rufião de prostíbulo
de interior. Mas há também o ocaso do masculino enquanto tal. Há um anseio
generalizado por imitar o sexo oposto no meio masculino. Os sintomas estão em
tudo. Fui comprar camisas outro dia e na loja pelo menos 70% do estoque que
me foi mostrado era de variados tons de rosa. Perguntei ao vendedor, que
envergava dois enormes brincos, um em cada orelha: “Tem camisa de cor creme (a minha preferida)”? Não tinha. Estou
completamente fora de moda, pois não me vejo dentro de uma camisa
cor-de-rosa. O remédio foi comprar as de cor branca e azul, que ainda estão à
venda. As enormes
passeatas gays pelo mundo afora são o epítome do fenômeno. Mesmo que lá
estejam as homossexuais femininas, são elas ofuscadas pela enorme quantidade
de homens, sua grande maioria. Certamente uma mudança tão profunda na forma
de ser masculina tem algo a ver também com a mudança ocorrida no feminino. As
mulheres têm, paulatinamente, modificado seu papel
social e também sua relação com os homens, não apenas seus companheiros de
vida, mas também os filhos e pais. Essa modificação parece ter sido feita em
seu próprio benefício: parecem ter mais liberdade, independência econômica, disposição
de fazer a vida a seu modo, sem dar bolas para restrições de espécie
alguma. Modificaram
sobretudo a forma de criar os filhos: estão distantes, trabalham, a
ausência feminina parece dar um contributo decisivo nessa metamorfose da
psique masculina. As crianças
hoje em dia, sobretudo as de famílias mais pobres, alcançaram o ideal nazista
e comunista da forma que seus teóricos originais nem suspeitavam que iriam conseguir: foram separadas dos pais desde tenra
idade e deixadas aos cuidados dos funcionários do Estado, nas creches e
escolas públicas. A educação infantil está plenamente estatizada. A quebra da
transmissão dos valores tradicionais começou por aí. Bem sabemos que esses
diligentes funcionários públicos pregam o marxismo aos seus pupilos e
deformam os pequenos desde tenra idade.
Mais: praticam o marxismo cultural, em boa hora denunciado pelo padre
Paulo Ricardo (link)
Em sua maioria, são funcionárias, praticamente não
há homens nessa profissão. Portanto, não há modelos masculinos para formar os
meninos. A coisa é muito séria. A epidemia de
divórcios e a multiplicação de lares sem a presença masculina são outra causa
dessa falta de modelos masculinos. O menino vê-se praticamente cercado pelo
mundo das mulheres, em casa, e o mundo desgraçado dos comunistas condutores
das escolas públicas, do outro, também sob a custódia feminina. Os homens
adultos estão cada vez mais distanciados da educação dos meninos, uma marca geracional.
Não é por acaso que a rapaziada veste camisa cor-de-rosa, usa brincos, aplica
adstringente no rosto e segue o trio elétrico das paradas gays. E recusam o
casamento, cada vez mais. A perpetuação da vida atomizada, sem família e
voltada única e exclusivamente ao hedonismo é o destino de larga proporção
dos homens das gerações que chegam. A presença
feminina tem um papel sagrado na composição da vida de um homem, como mãe,
esposa e filha. Essa presença sempre foi muito forte e o ditado popular consagrado,
que diz que, por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, é
uma verdade imemorial. De forma alguma o papel tradicional da mulher a
diminuía, ao contrário, a santificava. A mulher sempre foi o esteio do
matrimônio e a fonte do equilíbrio e da motivação do homem. E a formadora
maior dos filhos, junto com a presença modelar do
marido. A crônica da
metamorfose dos papéis dos sexos tem em duas peças cinematográficas duas
cenas memoráveis. Uma no filme O
PODEROSO CHEFÃO II, aquela em que Kay fala para
Michael, que lhe pedia perdão pelo aborto que ela padecera supostamente por
causa do atentado e ela, mortífera, fala para ele que ela mesma praticara o
aborto, um menino, “para acabar com
dois mil anos de história”. A morte do masculino cristão, a alusão não
poderia ser mais direta. A morte da virilidade. A tapa que levou foi
memorável, uma das mais eletrizantes cenas do cinema de todos os tempos, com
Pacino mostrando o olhar de ódio do homem que ainda era o masculino
tradicional, que estava derrotado diante da mulher impiedosa, matadora do
próprio filho. O impensável aconteceu: o casamento do poderoso chefão foi
desfeito, o divórcio, contra os valores cristãos, foi consumado. Sempre que
eu vejo essa cena me comovo. Outra cena está
no filme de Kubrick, DE OLHOS BEM FECHADOS. Nicole Kidman, demoniacamente
bela, fumando maconha com o marido no quarto do casal faz-lhe a confissão
mais terrível que uma esposa poderia fazer ao marido, que tivera devaneios
sexuais com outro homem e que, se o outro homem desconhecido quisesse, teria
largado tudo e seguiria com ele. Antes, riu-se de forma incontrolável,
demoníaca, da segurança que o marido ostentava de sua fidelidade, suposta
pelo fato de ser a sua esposa. Fidelidade que não se resume jamais nos atos,
mas também nos pensamentos. A fraqueza de Bill Harford
diante da bela mulher, do feminino enquanto tal, foi
eletrizante e toda a história do filme passará a girar em torno dessa
confissão cruel. Kubrick, na sua genialidade, registrou também essa mudança
que aconteceu no relacionamento homem/mulher nos últimos séculos. Meu ponto é
que não será possível o retorno aos valores e à religião sem que o casamento
como instituição seja restabelecido. Não teremos homens desprovidos de
camisas cor-de-rosa e de brincos nas orelhas, arremedando mulheres, e nem
seguindo trios elétricos de passeatas gays, sem restaurar esse sacramento,
confiando o cuidado da educação dos filhos aos pais biológicos, como sempre
foi. É o tempo de se discutir a relação,
como é clichê no meio das mulheres. Mas do ponto de vista masculino. Uma
contra-revolução precisa ser iniciada nesse campo, que tem sido a vitória
mais espetacular da revolução cultural marxista. Os meninos têm sido as
vítimas preferenciais dessa degradação. Vivemos sob a égide de Marcela, o personagem de Cervantes em Dom Quixote. O feminino que dispõe de si mesmo sem levar em conta a emoção dos homens que lhe amam, sejam os maridos, filhos ou mesmo pais. A conseqüência disso tudo é a tragédia que se desenvolve cotidianamente, com os rapazes exibindo modos de simulacro de feminino, nas vestes, nos adereços, no modo de andar e na forma de falar. Grotesco. |
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