DIREITA, VOLVER!
25/02/2012
Quando li o artigo de João Melão Neto
(Uma
nova direita, por que não?), publicado na edição de ontem do jornal O Estado
de São Paulo, detestei-o de imediato. O primeiro parágrafo é uma mentira, ao
dizer que "E os militares, no período, jamais respeitaram os direitos humanos e as
garantias individuais de ninguém".
Quem viveu aqueles tempos sabe que a repressão militar foi dirigida unicamente
contra os revolucionários armados, que matavam inocentes e praticavam inúmeros
crimes contra a ordem pública. E apenas por curto período, suficiente para
extirpar o câncer. João Mellão cometeu uma injustiça e escreveu uma inverdade.
Olavo de Carvalho, em
artigo a ser proximamente publicado ("Porque a direita sumiu"),
comentou o texto do Mellão e nos deu uma aula de interpretação histórica. A
direita no Brasil sumiu porque os militares entregaram a formação da juventude
e os meios de comunicação aos esquerdistas, que no espaço de uma geração
acabaram por dominar o cenário pedagógico e cultural, assumindo o monopólio da
produção de conteúdo. Foi fatal. Tivemos o esplendor da revolução gramsciana no Brasil, cujos frutos foi a eleição de
esquerda desde a abertura política. O duelo político tem se dado entre
representantes das esquerdas, uma evidente anomalia política.
Mas Mellão colocou corretamente o pergunta e lhe deu resposta adequada: "Afinal, o que é a direita? Ela se divide em duas vertentes: a conservadora e a liberal. E embora ambas pensem de forma semelhante, não é sempre que estão de acordo. Sobre os liberais trataremos em outro artigo. Façamos uma breve descrição do pensamento conservador". Nem sempre o convívio entre conservadores e liberais é pacífico, porque estes são o ramo à direita do movimento revolucionário. Os conservadores defendem o núcleo permanente da moral cristã, coisas que os liberais programaticamente combatem. Há um elemento de amoralidade no liberalismo.
Essa permanência é o
ponto chave dos conservadores. Quem quiser se informar deve ler o livro do
Russel Kirk "A Era de TS Eliot"(Editora É
Realizações, 2011), que acabei de ler, onde a tese está bem exposta e
defendida. A defesa que os conservadores
fazem é de ordem moral, que tem um núcleo permanente fundado na Tradição e nas
Escrituras. Como está escrito no Evangelho de João (capítulo 15), em que a
palavra permanência é repetida onze
vezes. Nesse texto magnífico é que Jesus eleva os discípulos à condição de
"amigos" de si mesmo, isto
é, do Deus Vivo. A permanência referida é dos Mandamentos, não das fluidas
formas sociais assumidas ao longo da história.
Por conta dessa
confusão entre Mandamentos e formas políticas passageiras é que escribas mal
intencionados querem fazer crer que os conservadores são puramente reacionários
em matéria política. Um exemplo é o texto publicado no site Ad Hominem (Nova
direita, nascida velha). O autor comete o duplo equívoco de identificar
direita com conservador, esquecendo-se dos liberais direitistas, e de associar
os conservadores com o apego a formas sociais injustas já superadas. São
inimigos do cristianismo e não perdem tempo para difamar a religião de Cristo.
O fato é que a
anomalia da inexistência de uma direita organizada deverá ser superada
brevemente. Estamos vendo na Europa e nos EUA como a direita tem força
política, capaz de se impor aos esquerdistas. O Tea Party é um exemplo dessa força política.
Nas últimas eleições
presidenciais testemunhamos o primeiro movimento da força conservadora, que pôs
o candidato José Serra no segundo turno. Por inabilidade do candidato e dos
seus marqueteiros, que não souberam pegar a onda conservadora, José Serra
perdeu. Agora em 2012 teremos o segundo round dessa luta dos conservadores para
emergir no cenário eleitoral. A cidade de São Paulo será o palco maior dessa
disputa. O voto conservador poderá dar vitória a José Serra, que agora se
declarou candidato. Espero que dessa vez saiba trabalhar o eleitorado
conservador.