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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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DILMA x SERRA 23/08/2010 “Quem não tem visão bate a cara contra o muro”. Raul Seixas Eu tenho um punhado de razões para não confiar
em José Serra e mesmo não gostar de seu estilo autoritário. Nem do seu
socialismo, que impiedosamente elevou impostos em São Paulo e impôs decisões perfectibilistas e autoritárias sobre os costumes da
população em banalidades, como o hábito de fumar. Nem de seu projeto de
poder, que faz do Estado um monstro que quer servir de instrumento de
distribuição de renda, sacrificando a ética da propriedade privada e da
meritocracia, instituindo o roubo institucional. Minha própria visão de
Estado é aquela que vigorou na Era Vitoriana e bem sei que ela foi soterrada
pelo aterrorizante século XX, tempo em que o Estado liberal foi assassinado
pelos socialistas de todos os matizes. Nem por isso vou gostar da alternativa posta
para a continuidade lulista de Dilma Rousseff. O projeto de poder do PT é muito mais atroz,
muito mais monomaníaco, tem propósitos claramente totalitários. Cada um dos
defeitos e maus propósitos de José Serra e seu PSDB são multiplicados e
piorados pelo projeto político do PT a níveis inimagináveis, aparentado que é
com o projeto de Lênin. O PT lidera o consórcio entre as forças
revolucionárias que restaram dos anos sessenta, do sindicalismo mais mafioso
formado nos anos oitenta e dos interesses da plutocracia rentista
inescrupulosa. Não ao acaso abundam recursos na campanha da Dilma Rousseff e mínguam na de José Serra. Dilma é a candidata
dos muito ricos. Então não podemos confundir ambas as
candidaturas na sua capacidade malfazeja para a liberdade e o respeito aos
direitos individuais. Sem qualquer sombra de dúvida o projeto do PT é
malicioso e pernicioso sob todos os aspectos, com o agravante de que o PT não
deseja e tentará impedir por todos os meios a alternância de poder. Não
querem mais largar a rapadura. O PT, se puder, imporá uma ditadura. Tenho a convicção de que o projeto
totalitário do PT chegará ao apogeu com Dilma Rousseff.
A fase de acumulação de força terá sido superada e o PT, com a grande bancada
que, parece, fará, terá o seu comando no futuro Congresso Nacional, poderá realizar
todas as modificações que inventar, inclusive
aquelas de natureza constitucional. Os democratas do Brasil correm perigo, as
liberdades correm perigo. Eu sinto que caminhamos para um período tenebroso
da nossa vida política com a possível vitória da candidata da situação. Uma quase impossível vitória de José Serra
daria continuidade ao que está posto, mas sem o anseio totalitário do PT. Por
isso é um erro absoluto achar que é indiferente se um ou outro ganhar, por
mais que alguns aspectos formais do seu socialismo se aproximem, bem como a
união da origem comum de muitas de suas lideranças. A ala patrimonialista que
apóia Dilma, aquela do PMDB de Sarney, Collor e Renan Calheiros, não teria
nenhum problema moral de aderir a Serra, mesmo antes da posse. Serra mudaria
integralmente a política exterior e cortaria qualquer cooperação com forças
políticas revolucionárias ativas, como as FARC. E reaproximaria o Brasil dos
EUA. Veja-se que são matérias substantivas as que separam ambas as
candidaturas. |
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