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DILMA FAZ GOVERNO REPUBLICANO?
15/08/2011
Eu me surpreendi com o tom governista e francamente
irrealista do artigo de Denis Rosenfield de hoje, no Estadão (Princípios
republicanos). O autor conclamou a oposição a apoiar o governo de Dilma Rousseff, supondo que ela está fazendo uma faxina ética e
supondo que seu governo se pauta por princípios republicanos. Suas suposições
são falsas e, para um filósofo de sua envergadura, um batalhador incansável
na denúncia das mazelas do PT/MST nos últimos anos, confesso
que me fez cair o queixo após a leitura. De entristecer.
[Indo trabalhar pela manhã ouvi no rádio a
notícia de que o Governo Dilma chamou para dezembro conferência nacional
sobre a causa gay. Ora, um governo que se pauta por princípios republicanos
não pode tomar partido por uma causa religiosa, custeando um mega evento com
verbas públicas. O gaysismo, como o abortismo, é bandeira do ateísmo militante de corte
nitidamente religioso, que quer se impor aos demais
credos abraçados pelos brasileiros, sobretudo os de vertente cristã,
contrários ao ataque ateísta apoiado pelo governo.]
Toda a era do PT no poder, desde 2002, tem
sido a negação da propaganda ética que o partido fez para chegar ao poder. O
momento mais conspícuo foi o do mensalão. E temos
visto reiteradas tentativas que estabelecer a censura à imprensa, como eu
mesmo pude testemunhar por ocasião de uma outra
conferência nacional, de triste memória (Confecom
). No episódio da
recente queda de Antonio Palocci, subitamente enriquecido por meios ignorados
e suspeitos, vimos o empenho da Sra. Presidente em
segurar o ministro do poder, contrariando tudo que se entende por valores
republicanos.
O
que temos visto é uma luta surda dentro da base de apoio de Dilma Rousseff por cargos, poder e áreas de influência. A
própria presidente declarou-se surpreendida pela ação da Polícia Federal, que
prendeu dezenas de pessoas no Ministério da Agricultura. Claro que a
declarada ignorância não convenceu a ninguém, menos ainda aos atingidos. O
ministro da Justiça também posou de marido traído e, a modo
de confirmar tais falsas surpresas, membros da Polícia Federal têm se
comportado como se suas atividades profissionais estivessem sendo
prejudicadas pela ação do comando político. Vejo em tudo isso um grande
circo. A Polícia Federal, ao empreender ações que têm por alvo agentes
políticos, se comporta como polícia política. Seus alvos são preferenciais.
Basta lembrar que, em todos os episódios em que partidários do PT foram
denunciados, como no mensalão, a Polícia Federal ou
foi ausente ou foi nula. Seu rigor tem sido usado sempre contra os desafetos
do PT.
O
próprio Denis Rosenfield tem escrito ótimos artigos denunciando as
preferências nada republicanas do PT pelos sistemas de cotas raciais e
“sociais”, inclusive pelo revisionismo da
propriedade da terra para quilombolas e para índios, em prejuízo da maioria
da Nação, criando quistos raciais e até mesmo extra-nacionais,
inexistentes até então no Brasil. É o oposto da prática republicana de
defender o bem geral. É essa militância pelo bem comum nos antigos artigos
que tem tornado o filósofo gaúcho figura querida em meio aos brasileiros de
bem, preocupados com os destinos do Brasil.
O
filósofo chegou a ser patético ao escrever, em defesa do suposto
republicanismo do Governo Dilma: “Isso, porém,
exige das oposições uma conduta responsável. Devem fazer frente comum com o
governo, não procurando fustigá-lo partidariamente. As oposições não deveriam
fazer oposição como têm feito durante os últimos nove anos, imitando o que o
PT tinha de pior.” As
oposições nada têm feito de eficaz contra o governo, esta é a realidade
conspícua, até porque não dispõem nem de força e nem de vontade para isso.
Estão castradas. Piormente, quem está contra as
ações supostamente moralizadoras da presidente não são as oposições, mas a
mal afamada “base aliada”, os atingidos diretamente pela suposta faxina.
Denis Rosenfield deveria fazer apelo a Michel Temer, a José Sarney, a
Waldemar da Costa Neto. O filósofo gaúcho terá sido tomado de súbita
cegueira? Anda desinformado?
E
concluiu o artigo de modo ilógico e francamente inaceitável: “Isso significa
que, no caso em questão, as oposições deveriam partir para um apoio ao
governo Dilma em torno de princípios, abandonando até mesmo a ideia de CPI. Para que uma CPI, se os responsáveis foram
punidos e as maiores falcatruas já apareceram? Na situação atual, trata-se
apenas de uma forma partidária de fustigar o governo, fazendo o jogo dos
descontentes com a faxina, o dos infratores. Apenas estes poderiam tornar
viável uma CPI.” Ora, se o apego ao republicanismo e à faxina é, de fato,
veraz por parte do governo – e do próprio filósofo travestido e arauto do
poder – que se façam tantas CPIs quantas forem necessárias para restabelecer
a moralidade. Governos empenhados na moralização não teriam, por suposto,
nada a esconder.
A
democracia sairia engrandecida e os ideais republicanos
enobrecidos se no Congresso Nacional a questão das falcatruas, afinal
todas elas oriundas das hostes governistas, do PT e da sua base aliada, fosse
investigada no poder que é o emblema da democracia e da República. Cabe à
oposição ser oposição e vigiar para que a coisa pública não seja
vilipendiada. Confesso que fiquei muito constrangido ao ler o apelo de Denis
Rosenfield. Nem Lula seria capaz – incapaz que é – de fazer apelo tão
obsceno. Sua mudança de posição em relação ao governo do PT foi total.
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