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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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DILMA DERRAPANDO NA CURVA 03/09/2010 O grande fato político dessas eleições até
agora foi a notícia da ação criminosa dos
partidários da candidata Dilma Rousseff (ouvi um
humorista dizer Dilma-do-Chefe, imagem perfeita),
que roubaram da base da Receita Federal dados fiscais protegidos por lei de
pessoas ligadas ao PSDB, notadamente da filha do candidato José Serra,
Verônica Serra. Além disso, soube-se que outras personalidades tiveram seus
dados furtados, o que configura crime grave e continuado, contra pessoas de
fora da política. Um atentado ao Estado de Direito. Dois fatos relevantes do ponto de vista
político precisam ser sublinhados. Primeiro, descobriu-se de novo que a
estrutura do Estado brasileiro foi posta a serviço dos interesses
governistas, ao arrepio da lei, pondo a sociedade brasileira à mercê da sanha
criminosa de gente que tem nas mãos os cordéis do poder. O perigo totalitário
ronda o país. Segundo, a gravidade dos fatos obrigou a imprensa, a trinta
dias do pleito, a dar seguidas manchetes negativas contra a candidata
governista. Hoje é o terceiro dia consecutivo que os jornais Folha de São
Paulo, o Estado de São Paulo e O Globo deram chamada de primeira página. O
Globo, hoje, informa a possibilidade de os dados da conta bancária no Banco
do Brasil de Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, terem também sido
violados. É difícil mensurar preliminarmente o impacto
eleitoral dessas notícias, que estão sendo usadas pela propaganda eleitoral
das oposições contra a candidatura oficial. Elas têm o poder de elevar uma
onda de indignação do eleitorado, mudando um número considerável de votos em
favor de José Serra. O prazo até as eleições é longo o bastante para produzir
efeitos devastadores na candidatura de Dilma Rousseff,
mas curto o bastante para impedir reações eficazes. Estamos diante da pedra
inaugural da avalanche que pode tomar conta da vontade política do
eleitorado. Penso que foi criado o fato novo devastador contra Lula e seu pseudônimo
eleitoral, Dilma Rousseff, a favor de José Serra. Os próximos dias serão decisivos e os
desdobramentos dos fatos poderão agravar essa tendência. Se comprovada a violação
do sigilo bancário de Eduardo Jorge, por exemplo, é possível que haja elementos
ainda mais fortes para que uma onda de indignação varra o país. Finalmente as
oposições estão em um momento de força contra o consórcio político em torno
do PT. A campanha ganhou agora uma forte emoção. Nada está decidido. |
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