|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
DERROTA COMPLETA DO PT (II) 24/09/2010 Alguns leitores fizeram objeção à minha tese,
exposta no artigo
anterior, de que houve uma completa derrota do PT, mostrando que aquele
partido ganhou o Rio Grande do Sul, ampliou sua bancada no Senado e viu seu
aliado, o PMDB, ter ainda maior sucesso legislativo, construindo a maior
bancada de senadores. Na câmara viu-se igualmente uma ampliação de ambos os
partidos da coligação. São argumentos de peso. Nunca é demais insistir na completa derrota
do PT e seus aliados nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Neste último,
então, o naufrágio foi integral, esfacelou-se. Estamos aí a falar de algo
equivalente a mais de um terço do eleitorado nacional. Aqui José Serra tem
ampla margem para aumentar a votação, angariando apoios que, por motivos de
sobrevivência política, ou foram claudicantes ou foram inexistentes no
primeiro turno. Especialmente em Minas a margem de crescimento é estupenda. A eleição de Tarso Genro no Rio Grande do Sul
foi conseqüência das trapalhadas de Yeda Crusius e do seu vice, Paulo Feijó. Está aqui a raiz da
vitória fácil do PT. É menos mérito do que aproveitamento das circunstâncias.
O PT era a única força capaz de substituir a governadora. Foi um
acontecimento fortuito e fora da curva. A análise da bancada de senadores pode
enganar o observador à primeira vista. Quem ganhou mesmo foi o PMDB, que
nunca passou do antigo “Centrão” e apóia o PT como apóia
qualquer um que esteja na chefia do Executivo. Mas o partido tem agenda própria
e aqui temos que olhar o movimento dialeticamente. Se Lula já comia na mão do
PMDB quando ele era apenas o fiel da balança no Congresso Nacional, agora que
o partido tem maioria certamente ditará seus interesses, contra e a despeito
da agenda do PT. Essa gente do “Centrão” é a velha
oligarquia patrimonialista que nada tem de revolucionária, como o PT. Ela
quer apenas se locupletar com as verbas do Estado. Assim será. Jamais podemos esquecer que devemos a esse
mesmo “Centrão” de Severino Cavalcanti e de José
Sarney a derrota da CPMF e, com ela, o enterro do desejado terceiro mandato
de Lula. Então onde se vê uma vitória podemos até dizer que é uma derrota
desde dentro da composição das forças políticas em torno do PT. Quer me
parecer que quem vai mandar mesmo é o PMDB, agora fortalecido. O PT ficou
pálido diante do seu aliado agigantado e guloso. E incapaz de ser controlado. Na Câmara de Deputados o Executivo já ditava
as regras, nunca perdendo ali uma votação. As eleições ora encerradas não
mudaram o cenário. A Câmara quase sempre é dócil ao governante do dia, mas
duvido que a nova correlação de forças queira aprovar
mudanças constitucionais que coloquem em risco o Estado de Direito, como é o
desejo do PT desde sempre. Os velhos caciques derrotados agora, como
Marco Maciel e Cesar Maia , foram substituídos por
gente do mesmo perfil. Tasso Jereissati é outro que não fará falta. Eles
todos formam um bando de coronéis patrimonialistas, que não fará falta à
democracia brasileira. Em horas decisivas essa gente se omitiu, especialmente
quando o PT mostrou arreganhos totalitários. Já vão tarde. Certo que é muito difícil a vitória de José
Serra no segundo turno, mas não é impossível. Vai depender da postura do
candidato, de afinar um discurso que possa encantar o eleitorado. É preciso
fazer alianças. É preciso angariar apoios. Dilma perdeu a vantagem do tempo
adicional de televisão. Os escândalos estão na prateleira, à espera de serem
relembrados com ênfase. Erenice Guerra é ainda a
grande cabo eleitoral se José Serra, junto com seus filhos “empresários”.
Serra não pode se acovardar, precisa partir para
cima da Dilma, estocando os pontos fracos. E precisa cultivar o eleitorado
conservador, de quem obteve os votos sem que lhe pedisse. É hora de ser
firme, afirmativo, companheiro, estadista. É hora de ter junto a si gente
como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso. É hora de
oferecer a Marina Silva parcela ponderável do poder para que ela seja uma
aliada entusiasta. É hora de resgatar aliados renegados como Gabriel Chalita, cujo padrinho é o próprio Alckmin. Enfim, há muitos degraus a serem superados,
mas José Serra tem reais chances de se sagrar presidente da República. |
|