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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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DERROTA COMPLETA DO PT 03/10/2010 Praticamente encerradas as apurações dos
votos das eleições de hoje (agora são 23:00 horas),
já podemos apontar que houve uma completa derrota das forças governistas. A
maior de todas foi deixar escapar a vitória no primeiro turno para a
Presidência da República. O segundo turno é sempre uma eleição completamente
diferente. No segundo turno todos os interesses estão cristalizados e aqueles
que estão bem posicionados nos principais colégios eleitorais saem fortalecidos. O PSDB ganhou os dois principais colégios
eleitorais, São Paulo e Minas Gerais. Não apenas fez os governadores no
primeiro turno, como também elegeu três dos quatro senadores. Nesses dois
estados a vitória foi total, esmagadora, e este desempenho poderá definir as
eleições no segundo turno. Principalmente em Minas Gerais José Serra poderá
ampliar, de forma considerável, sua base eleitoral. Ainda não há clareza de como ficará a
composição do Congresso Nacional, mas o governo teve frustrada a sua
pretensão de ampliar sua base de apoio congressual. Essa é também uma das
suas grandes derrotas, na hipótese de Dilma Rousseff
vir a ser eleita presidenta. Por que o PT perdeu? Porque no Brasil existe uma
base considerável de pessoas conservadoras, que andavam dispersas e desinteressadas
de política. Essa passividade foi superada pela ameaça de hegemonia petista,
de caráter marxista-leninista. Por isso a bandeira do anti-aborto
e anti casamento gay ganhou dimensão decisiva, a tal ponto de que bispos
católicos, como Paulo Evaristo Arns, tradicionais apoiadores do PT, terem
quebrado o silêncio em favor das oposições. Da mesma forma, pastores
protestante falaram abertamente contra a candidata do governo por
causa desses pontos. Dilma Rousseff não pode apagar
o que está escrito no Plano Nacional dos Direitos Humanos e demais documentos
programáticos do PT em favor dessas aberrações morais. Então ela vai para o segundo turno enfraquecida e não tem como recuperar esse
eleitorado. Muita gente votou em Marina Silva por não se
achar representada por José Serra. É absolutamente importante que o candidato
da oposição se componha com ela, mas penso que os eleitores não seguirão
necessariamente a escolha da candidata, que tem sua história dentro do PT.
Bem sabemos que, o que de fato pesa, são os interesses de cada agremiação.
Não apenas com o PV de Marina, como também de todos os apoios disponíveis
José Serra precisa se valer. Um presidente da República precisa espelhar a
pluralidade política da sociedade. José Serra não pode se isolar, ele precisa
ouvir todos os grupos, sobretudo lideranças exponenciais como Geraldo
Alckmin, Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso. Da mesma forma, é preciso
estreitar os laços com os Democratas, que tiveram desempenho além do esperado
nas eleições e são leais ao candidato. José Serra precisa especialmente cultivar o
volumoso voto conservador mobilizado para ele e para eleger Geraldo Alckmin
em São Paulo. É um voto claramente anti-PT. Esse
sentimento está espelhado especialmente nas regiões Sudeste e Sul, mas
compreende as classes médias e as igrejas de um modo geral. Serra terá que
fazer um discurso de centro-direita, se quiser ganhar as eleições. O grande derrotado das eleições foi a pessoa de Luiz Inácio Lula da Silva. Seu suposto encanto
eleitoral quebrou-se. Tem a rejeição dos conservadores e não tem qualquer penetração
nos estados mais desenvolvidos da federação. Se ele tinha qualquer pretensão caudilhista,
esta fugiu de suas mãos como água pelos dedos. Provou-se que o PT virou o
partido dos grotões. Em trinta dias saberemos quem será o
vencedor. Penso que José Serra poderá ser consagrado presidente da República,
se amalgamar as forças de oposição que precisam ver nele uma liderança
confiável. A nota desconcertantemente previsível foram
os erros brutais dos institutos de pesquisa. Mais que erros, parece ter
havido grande má fé e imperícia dos institutos. Se há alguém mais derrotado
do que o presidente Lula são os institutos de pesquisa. |
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