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DA TRAIÇÃO
VOLUNTÁRIA
09/05/2006
Tem sido divertido ler os comentários dos petistas e esquerdistas em geral
aos artigos anteriores que escrevi sobre a questão boliviana. Variam do
desaforo insensato a uma tentativa de “conversão” à causa petista, fazendo um
apelo a uma suposta racionalidade superior da nossa política externa e tomando
a defesa de Lula, como se ele fosse um estadista e não o que de fato é, um idiota posto a tomar as maiores decisões nacionais.
Lula é absolutamente despreparado para os misteres do cargo que ocupa.
Alguns ficaram escandalizados porque citei depreciativamente a “douta”
Marilena Chauí. Atenção: não disse que ela é ignorante, que de fato não é.
Disse que é maliciosa, no sentido exato da expressão: alguém que pratica o
mal e que induz os outros à malignidade, com plena
consciência do que faz. Chauí é mendaz, Lula é apenas um apedeuta
que não sabe muito bem o que faz e no fundo é só um ator, um ídolo das
multidões, um puxador de votos.
A somatória da ignorância com a malícia está destruindo nosso país e o que se
passa na política externa é apenas a face – como direi? mais
exterior – do grande drama da Nação brasileira. Falta pouco para um desfecho
catastrófico no âmbito interno. Deus queira que a democracia possa ser o
instrumento eficaz e suficiente em si mesmo para poupar-nos dos horrores da
terra devastada que estou vislumbrando.
Recapitulemos. Nossos barbudinhos sonhadores que tomaram conta do país e do
Itamaraty não têm a noção exata nem da natureza humana e nem de como se dão
as relações entre os Estados. Até por definição, pois sem corar, sem demonstrar
vergonha pelo ato falho, dizem-se socialistas, sem saber que tal coisa é uma
tremenda confissão de ignorância e de maL-caratismo.
Acharam que os chavões que gastaram nos discursos, nos artigos e nas praças
públicas iriam mudar a realidade nua e crua das relações internacionais.
Bestas muito mais argutas e muito mau-intencionadas,
como Hugo Chávez e Fidel Castro, usaram e abusaram
da boa fé dos neófitos e medíocres petistas. Os dois fizeram não o Brasil de
bobo, mas o seu governo apequenado, romântico e parvo. Chávez,
como aliás a maior parte dos governantes
sul-americanos, sempre viu o Brasil com um misto de medo e despeito. É
sentimento imemorial que provavelmente vem desde a celebração do Tratado de
Tordesilhas, que nossas Entradas e Bandeiras dele fizeram letra morta.
Nunca esqueceram as guerras de fronteira que foram ganhas, com a Argentina,
com o Paraguai, com a própria Bolívia. Não dá para não lembrar do heróico
Plácido de Castro, que incorporou o Acre à bala. Chávez
mistura esses sentimentos menores com sua ânsia de liderança internacional.
Seu nacionalismo torna-se internacionalista quando tem a oportunidade de
prejudicar os interesses brasileiros, como agora. Perderam o medo porque
aqueles que deveriam ser os guardiões tornaram-se traidores voluntários da
Pátria. Enquanto essa gente tíbia e pusilânime mandar no Brasil o sargentão
venezuelano vai casar e batizar e cocaleiros
ridículos irão exibir músculos contra o Brasil. Uma única ação varonil do
lado de cá poria as coisas nos eixos, entre outras razões porque é o poder
real do Brasil que tem sustentado a opereta bufa que tem sido o seu governo,
sobretudo em face aos norte-americanos.
A mim me incomoda a cegueira de alguns analistas, como li hoje no artigo do
embaixador Rubens Barbosa (“A desintegração regional”), publicado no Estadão. Lá ele escreveu: “O populismo nacionalista de Chávez... está fazendo com que suas ações estejam na raiz
do atual processo de desintegração regional”. Ele estaria certo se Chávez se limitasse ao exercício do poder interno. Ocorre
que ele está fazendo um eixo em torno das propostas do Foro de São Paulo, que
é um conluio revolucionário em escala internacional, que serviu como uma luva
para que ele, Chávez, passasse a contrariar os
substantivos interesses da Nação brasileira.
O problema do episódio da Bolívia é que ele não tem como se esgotar nele
mesmo. Todos os países vizinhos que possam ter alguma pendência poderão
agora, feito o paradigma da covardia diplomática, querer tomar decisões
unilaterais, rasgando tratados, contratos e acordos livremente pactuados com
o Brasil. Para retornar a situação anterior, de equilíbrio, temo que o Brasil
só o conseguirá pelas vias militares. A América do
Sul poderá ser incendiada em virtude dessa mistura de ignorância e malícia
que tomou conta do governo brasileiro.
Se um homem lúcido como Rubens Barbosa escorrega assim na análise, o que
dizer dos barbudinhos do Itamaraty, essa síntese grotesca entre o romantismo,
a arrogância e a ignorância? Em quatro anos de Lula conseguiram destruir um
equilíbrio geopolítico que dura mais de cem anos. Não é pouca coisa. Só
Hitler conseguiu tal proeza, em curto período de tempo. E já sabemos no que
deu. Em política internacional quem fala mais alto são as armas e elas
estavam caladas até agora. Valha-nos Deus.
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